Dor pélvica em medicina geral e familiar: um caso clínico de vulvodinia

Maria João Macedo

Resumo



Introdução: O caso clínico exposto neste artigo retrata uma jovem que recorreu a uma consulta de planeamento familiar, onde se fez o diagnóstico de vulvodinia. O médico de medicina geral e familiar dispõe de todas as ferramentas necessárias para o diagnóstico e orientação terapêutica adequados desta patologia prevalente e incapacitante.
Descrição do caso: Em setembro de 2013, uma mulher de 28 anos, nulípara, sem antecedentes médico-cirúrgicos relevantes, recorreu a consulta de planeamento familiar. Ao ser questionada por sintomas e intercorrências, descreveu uma dor vulvar tipo “agulhas a picar” (sic), despoletada pelo toque, que se repercutia na sua qualidade de vida. O exame físico revelou eritema e pontos de hiperestesia ao toque com zaragatoa na região vulvar. Perante uma dor pélvica sem causas etiológicas aparentes, foi feito o diagnóstico de vulvodinia generalizada provocada. Propôs-se, sequencialmente, a otimização da higiene vulvar, tratamento de infeção fúngica com fluconazol, amitriptilina e lidocaína tópica. Vários meses depois, a utente referiu o alívio da sintomatologia.
Comentário: Qualquer tipo de dor sexual pode interferir com aspetos físicos, psicológicos e com as relações interpessoais do indivíduo. A vulvodinia é um distúrbio álgico complexo e frustrante, para doente e médico, por poder ser de difícil tratamento. O médico de família desempenha um papel importante no diagnóstico, terapêutica e na sua eventual referenciação. Perante a sua prevalência considerável e disfunção psicossocial associada à vulvodinia, os médicos prestadores de cuidados de saúde primários devem estar alertados e informados para a vulvodinia e dor pélvica em geral, pelo que se tratam de temas que devem ser abordados, discutidos e relembrados.

Palavras-chave


Vulvodinia; Dor Pélvica

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DOI: http://dx.doi.org/10.32385/rpmgf.v32i4.11827

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