Detecção oportunística do cancro colo-rectal pelo médico de família

Autores

  • Hiroshi Okai Assistente de Medicina Geral e Familiar. Unidade de Saúde do Vale - Centro de Saúde de Santa Maria da Feira

DOI:

https://doi.org/10.32385/rpmgf.v23i3.10359

Palavras-chave:

CCR, Adenoma, Detecção oportunística

Resumo

Introdução: O cancro colo-rectal (CCR) é actualmente o tipo de cancro com maior taxa de mortalidade específica em Portugal, que tem vindo a aumentar progressivamente nos últimos 20 anos. A pesquisa de sangue oculto nas fezes (PSOF) é a única modalidade de rastreio que demonstrou reduzir significativamente a mortalidade específica do CCR (15 a 33%) através de ensaios aleatorizados populacionais, metodologia preconizada pelo Plano Oncológico Nacional 2001-05. Os serviços de saúde britânicos efectuaram um estudo piloto de demonstração da praticabilidade de um programa de rastreio nacional para o CCR com base na PSOF, cujos resultados a nível dos indicadores de actividade obtidos na ronda de prevalência foram sobreponíveis aos do ensaio aleatorizado e controlado de Nottingham. Objectivos: 1. Descrever, numa lista de utentes, os indicadores de actividade de rastreio do CCR com PSOF (taxa de captação e positividade da PSOF, taxa de captação da colonoscopia, valor preditivo positivo dum teste positivo para neoplasia e taxa de detecção de neoplasia); 2. Comparar os resultados obtidos com os do ensaio padrão de Nottingham. Metodologia: Estudo descritivo transversal com uma componente interna analítica. Amostra não aleatória de conveniência: utentes entre os 50 e 74 anos de idade que frequentaram a consulta entre 3 de Março de 2004 até 3 de Março de 2006 sem critérios de exclusão (n=275). Variáveis estudadas: (1) Taxa de captação da PSOF; (2) Taxa de positividade da PSOF; (3) Taxa de captação da colonoscopia; (4) Valor preditivo positivo para adenoma dum teste positivo; (5) Taxa de detecção de adenomas Resultados: Da população-alvo, 275 frequentaram a consulta entre 3 de Março de 2004 e 3 de Março de 2006 e foram convidados a efectuar a PSOF; destes, 5 recusaram-se. Dos 31 utentes com PSOF positiva, 2 recusaram a colonoscopia. A investigação subsequente revelou 3 pólipos adenomatosos colo-rectais e nenhum cancro. (1) Da população-alvo sem critérios de exclusão e frequentadora da consulta (275), completou-se o teste para 270 (98%), captação superior à de Nottingham (59,6%) (p<0,001); (2) a taxa de positividade foi de 11,5%, significativamente superior ao padrão (1,54%) (p<0,001); (3) 93,5% submeteram-se a uma colonoscopia no estudo, sugerindo sobreposição ao padrão (86,7%); (4) o valor preditivo positivo para adenoma no estudo foi inferior ao padrão (9,7% vs 34,6%; p=0,003); (5) a taxa de detecção de adenomas foi aparentemente superior no estudo relativamente ao padrão (11,1 vs 5,34). Discussão: A estratégia de detecção oportunística do CCR utilizada pelo Autor revelou uma maior adesão da população-alvo à PSOF e a validade do método imunoquímico como teste com maior taxa de positividade e menor VPP para adenoma em relação ao método pelo guaiaco, condicionado pelo maior número de falsos positivos. Um estudo de maior dimensão poderá confirmar a elevada taxa de detecção de adenomas encontrada, lesões precursoras do CCR.

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Publicado

2007-05-01

Como Citar

Okai, H. (2007). Detecção oportunística do cancro colo-rectal pelo médico de família. Revista Portuguesa De Medicina Geral E Familiar, 23(3), 269–76. https://doi.org/10.32385/rpmgf.v23i3.10359

Edição

Secção

Investigação Original