Enurese nocturna: Orientação pelos cuidados de saúde primários

Autores

  • Alexandra Reis Interna Complementar do 2º ano de Medicina Geral e Familiar - Unidade de Saúde Familiar Horizonte
  • Patrícia Coelho Assistente de Medicina Geral e Familiar - Centro de Saúde de S. Mamede Infesta

DOI:

https://doi.org/10.32385/rpmgf.v23i3.10360

Palavras-chave:

Enurese, Crianças, Gestão

Resumo

Introdução: A Enurese Nocturna (EN) é o problema urológico pediátrico mais comum nos Cuidados de Saúde Primários (CSP). A prevalência aos sete anos de idade situa-se entre os 6% e os 10%, podendo ser fonte de grande perturbação da qualidade de vida das crianças e suas famílias. O Médico de Família deverá estar sensibilizado e ser capaz de orientar correctamente as crianças com esta patologia. Objectivos: Rever e sistematizar a informação recentemente publicada sobre a orientação da criança com EN; definir algoritmo de actuação e critérios de referenciação aos Cuidados de Saúde Secundários (CSS). Metodologia: Realizou-se pesquisa na base de dados Medline, Cochrane e Índice de Revistas Médicas Portuguesas procurando artigos publicados entre 2000 e 2005. Incluíram-se artigos de revisão, revisões sistemáticas, ensaios clínicos, meta-análises, normas de orientação clínica e estudos originais portugueses. Foram também obtidos artigos pertinentes relacionados com os seleccionados previamente. Utilizou-se a taxonomia SORT. Resultados: A avaliação inicial da EN requer uma história clínica, um exame físico dirigido e uma Urina tipo II. O tratamento deve ser oferecido quando a EN constitui um problema para a criança. O Aconselhamento, a Informação e o Reforço Positivo devem constituir a abordagem inicial; se não houver resposta temos como opções terapêuticas o alarme ou a desmopressina. Existe evidência clínica de que o alarme deverá ser considerado como primeira opção terapêutica, dada a maior probabilidade de sucesso a longo prazo; exige contudo, grande motivação da criança e família. Com a desmopressina obtêm-se resultados visíveis mais rapidamente, mas associa-se a elevada taxa de recidivas. A associação do alarme com a desmopressina é uma opção quando a monoterapia não resulta. Os casos de EN polissintomática ou de insucesso terapêutico deverão ser referenciados aos CSS. Conclusão: Crianças com EN monossintómatica podem ser orientadas pelo seu Médico de Família. Apresenta-se uma proposta de algoritmo de actuação nos CSP baseado na evidência clínica.

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Publicado

2007-05-01

Como Citar

Reis, A., & Coelho, P. (2007). Enurese nocturna: Orientação pelos cuidados de saúde primários. Revista Portuguesa De Medicina Geral E Familiar, 23(3), 279–88. https://doi.org/10.32385/rpmgf.v23i3.10360

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