A comunicação na consulta. Uma proposta prática para o seu aperfeiçoamento contínuo

Autores

  • Eunice Carrapiço Interna de Medicina Geral e Familiar da USF Marginal (ACES de Cascais)
  • Vítor Ramos Médico de família, orientador de formação do internato de MGF na USF Marginal (ACES de Cascais), professor convidado da Escola Nacional de Saúde Pública / Universidade Nova de Lisbo

DOI:

https://doi.org/10.32385/rpmgf.v28i3.10943

Palavras-chave:

Comunicação, Consulta, Medicina Geral e Familiar, Relação Médico-Doente

Resumo

Introdução: As competências de comunicação interpessoal são basilares em toda a prática clínica, em especial nas especialidades intensamente relacionais, como é o caso da Medicina Geral e Familiar. O treino estruturado destas competências deve integrar a formação médica, em especial durante o internato da especialidade. Objectivo: Delinear e testar, na prática, um modelo de análise e de treino de competências de comunicação na consulta, baseado em componentes comportamentais. Processo: Os autores seguiram um ciclo observacional reflexivo, reiterado em 2009 e 2010, que combinou a prática reflexiva e crítica, o estudo bibliográfico e a discussão inter-pares dos actos de comunicação nas consultas, por vezes com videogravação. Para fins didácticos procuraram distinguir e isolar o processo comunicacional dos aspectos relacionais e das fases, passos e conteúdo da consulta. Modelo proposto: O exercício prático realizado permitiu identificar 55 atitudes e comportamentos susceptíveis de serem analisados e treinados. Estes componentes foram agrupados em 12 artes comunicacionais. Destas, os autores destacam como centrais: «ouvir»; «perguntar»; «imaginar-se no lugar do outro»; e «confirmar e reformular». Em seu redor figuram: «começar»; «olhar/ver»; «conduzir a comunicação»; «sintonizar»; «explicar»; «resumir»; «atingir acordos»; e «concluir». Conclusão: O processo de comunicação é mais do que a soma dos componentes considerados. Porém, o modelo delineado e testado na prática revelou-se útil para o desenvolvimento de competências de comunicação e permite a construção de exercícios práticos de autoavaliação ou recorrendo a um observador externo, incluindo o recurso à videogravação. Embora este modelo tenha sido delineado num contexto de formação durante o internato da especialidade, os autores consideram que ele pode ser útil para o desenvolvimento profissional contínuo de qualquer médico de família. Sublinham também que, antes da componente técnica, tudo começa com a preocupação com o doente e com o interesse e a motivação do médico para comunicar bem.

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Publicado

2012-05-01

Como Citar

Carrapiço, E., & Ramos, V. (2012). A comunicação na consulta. Uma proposta prática para o seu aperfeiçoamento contínuo. Revista Portuguesa De Medicina Geral E Familiar, 28(3), 212–22. https://doi.org/10.32385/rpmgf.v28i3.10943

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