Estenose arterial subclávia bilateral: mais do que uma descida da tensão arterial – Relato de caso

Autores

  • Inês Leite da Silva Médica interna de Medicina Geral e Familiar.Unidade de Saúde Familiar Santa Joana – ACeS Baixo Vouga – Aveiro – Portugal
  • Elsa Martins Assistente de Medicina Geral e Familiar. Unidade de Saúde Familiar Santa Joana – ACeS Baixo Vouga – Aveiro – Portugal

DOI:

https://doi.org/10.32385/rpmgf.v30i5.11388

Palavras-chave:

Doença Arterial Periférica, Membros Superiores, Avaliação da Tensão Arterial, Hipotensão

Resumo

Introdução: A isquémia crónica dos membros superiores é uma condição rara, sobretudo se bilateral. Dependendo da localização e rede de colaterais, pode permanecer paucissintomática ou cursar com isquémia sintomática dos membros superiores e risco acrescido de eventos coronários e cerebrovasculares. Apesar de o diagnóstico ser imagiológico, o exame objectivo pode revelar alterações, nomeadamente diferenças nos valores tensionais medidos nos dois braços, numa oclusão unilateral. Neste caso clínico, os valores tensionais eram consistentemente baixos bilateralmente, centrando a abordagem inicial na aparente descida tensional. Descrição do caso: Utente do sexo feminino de 77 anos de idade, hipertensa controlada e com dislipidémia em que, a partir de determinada altura, os valores tensionais medidos na artéria braquial se apresentavam persistentemente inferiores a 90/60 mmHg. A sintomatologia resumia-se a “cansaço” com movimentos amplos dos membros superiores. Na ausência de outras alterações optou-se pela redução subsequente da medicação anti-hipertensora, sem melhoria dos valores tensionais ou da clínica. Após alguns meses, mantendo-se este quadro, foi constatada, no exame objectivo, uma diminuição bilateral dos pulsos radiais e aumento do índice tornozelo-braquial, colocando a hipótese de patologia arterial dos membros superiores, posteriormente confirmada por Eco-doppler arterial que evidenciou oclusão arterial subclávia bilateral. Comentário: Os valores tensionais medidos na artéria braquial eram aqui erroneamente baixos, dada a oclusão subclávia bilateral salientando-se que, nestes casos, a avaliação tensional baseada numa só medição na artéria braquial pode condicionar uma abordagem errada. O caso evidencia ainda a importância da integração de todos os sinais e sintomas, bem como do exame objectivo no diagnóstico.

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Publicado

2014-09-01

Como Citar

Silva, I. L. da, & Martins, E. (2014). Estenose arterial subclávia bilateral: mais do que uma descida da tensão arterial – Relato de caso. Revista Portuguesa De Medicina Geral E Familiar, 30(5), 316–20. https://doi.org/10.32385/rpmgf.v30i5.11388