Comunicação e percepção de risco: diferentes modos de comunicar, diferentes modos de partilhar a decisão clínica

Autores

  • Ricardo Rodrigues Médico Interno de Medicina Geral e Familiar, USF Conde de Oeiras
  • Ana Rita Maria Médica Interna de Medicina Geral e Familiar, USF Conde de Oeiras
  • Ana Bragança Médica Interna de Medicina Geral e Familiar, USF do Arco
  • Susana Simões Estudante de Doutoramento em Ensino e Divulgação das Ciências, Faculdade de Ciências, Universidade do Porto
  • André Tomé Médico de Família, USF do Arco
  • David Rodrigues Departamento de Medicina Geral e Familiar, NOVA Medical School/Faculdade de Ciências Médicas, Universidade Nova de Lisboa
  • Daniel Pinto Departamento de Medicina Geral e Familiar, NOVA Medical School/Faculdade de Ciências Médicas, Universidade Nova de Lisboa
  • Bruno Heleno Médico de Família, Unidade de Investigação em Clínica Geral, Universidade de Copenhaga

DOI:

https://doi.org/10.32385/rpmgf.v31i2.11468

Palavras-chave:

Risco, Comunicação em Saúde, Incerteza, Tomada de Decisões, Medicina Individualizada

Resumo

Uma decisão clínica informada deriva de um diálogo, no qual ocorre a partilha de especificidades biopsicossociais, preferências e valores de uma pessoa com o seu médico. Este, por sua vez, partilha informações associadas a um risco epidemiológico ou de uma intervenção. O risco pode ser comunicado por palavras, números ou gráficos, sendo que o formato escolhido influencia as percepções e os comportamentos dos utentes. O formato nem sempre é compreendido e a incapacidade de raciocinar com informação numérica (inumeracia) constitui uma importante barreira a uma comunicação eficaz. Apesar disso, é possível minorar o impacto da inumeracia através de estratégias comunicacionais. As frequências naturais, a redução de risco absoluto e a utilização de pictogramas permitem uma percepção mais realista do risco e tornam-no mais inteligível, independentemente do grau de numeracia. Existe sempre algum grau de incerteza associado às estimativas de risco, mas o mais importante é ajudar o utente a lidar com a incerteza. Além disso, o risco não deve ser encarado num contexto populacional, mas antes personalizado, tendo em conta os factores pessoais que modulam os benefícios ou prejuízos associados às intervenções propostas. Independentemente das políticas populacionais existentes, uma decisão de saúde cabe sempre ao utente, pessoa livre e autónoma.

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Publicado

2015-03-01

Como Citar

Rodrigues, R., Maria, A. R., Bragança, A., Simões, S., Tomé, A., Rodrigues, D., Pinto, D., & Heleno, B. (2015). Comunicação e percepção de risco: diferentes modos de comunicar, diferentes modos de partilhar a decisão clínica. Revista Portuguesa De Medicina Geral E Familiar, 31(2), 125–33. https://doi.org/10.32385/rpmgf.v31i2.11468

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