Vacinação antisarampo, parotidite e rubéola em crianças com suspeita de alergia ao ovo

Autores

  • Sónia Rosa Médica Assistente Hospitalar, Serviço de Imunoalergologia do Hospital D. Estefânia, Centro Hospitalar Lisboa Central, EPE
  • Filipa Ribeiro Médica Assistente Hospitalar, Serviço de Imunoalergologia, Centro Hospitalar do Algarve, EPE
  • Paula Leiria Pinto Médica Assistente Hospitalar Graduada Sénior, Serviço de Imunoalergologia do Hospital D. Estefânia, Centro Hospitalar Lisboa Central, EPE

DOI:

https://doi.org/10.32385/rpmgf.v31i6.11626

Palavras-chave:

Hipersensibilidade ao Ovo, Vacina Antisarampo, Parotidite e Rubéola

Resumo

A Direção-Geral da Saúde (DGS) publicou uma orientação para a administração da vacina contra o sarampo, parotidite e rubéola (VASPR), tendo reservado a referenciação hospitalar para situações de anafilaxia ao ovo, reação prévia à VASPR e asma não controlada em doentes com alergia documentada ao ovo. Objetivo: Caracterizar a população referenciada para administração da VASPR a nível hospitalar relativamente ao cumprimento das recomendações existentes, à segurança da administração da vacina em crianças com suspeita de alergia ao ovo e ao atraso na administração da primeira dose. Tipo de estudo: Observacional transversal com colheita retrospetiva de dados. Local: Serviço de Imunoalergologia do Hospital de Dona Estefânia. População: Crianças referenciadas para administração hospitalar da VASPR. Métodos: Consulta dos processos clínicos num período de cinco anos. Resultados: Das 83 crianças referenciadas, 43% não apresentava qualquer sintoma com a ingestão de ovo. Entre os participantes que apresentavam sintomas dois tinham história de anafilaxia ao ovo e dois tinham asma brônquica controlada. Verificou-se um atraso global de dois meses no calendário vacinal. Nenhum dos doentes referenciados para a administração do reforço vacinal tinha história prévia de reação à VASPR. Não foram observadas reações sistémicas após a administração da vacina. Três doentes tiveram reação cutânea local e transitória. Conclusão: A maioria da população não apresentava alergia ao ovo, verificando-se um sobre diagnóstico de alergia alimentar. A administração da VASPR foi segura, mesmo nos casos com anafilaxia ao ovo. Após a publicação da orientação da DGS continuou a existir referenciação hospitalar injustificada, implicando atrasos significativos no calendário vacinal e sobrecarregando os serviços hospitalares.

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Publicado

2015-11-01

Como Citar

Rosa, S., Ribeiro, F., & Pinto, P. L. (2015). Vacinação antisarampo, parotidite e rubéola em crianças com suspeita de alergia ao ovo. Revista Portuguesa De Medicina Geral E Familiar, 31(6), 406–9. https://doi.org/10.32385/rpmgf.v31i6.11626