Quando uma queixa comum revela um diagnóstico incomum – Síndroma de Eagle

Autores

  • Dina Novais Fernandes Médica Interna de Medicina Geral e Familiar, USF +Carandá – ACeS Cávado I
  • António Silva Médico Interno de Medicina Geral e Familiar, USF MaxiSaúde – ACeS Cávado I
  • Adriana Miranda Médica Interna de Medicina Geral e Familiar, USF Pró-Saúde – ACeS Cávado II
  • Luis Sousa Médico Interno de Medicina Geral e Familiar, USF +Carandá – ACeS Cávado I
  • José Sequeira Médico Interno de Medicina Geral e Familiar, USF +Carandá – ACeS Cávado I

DOI:

https://doi.org/10.32385/rpmgf.v32i1.11692

Palavras-chave:

Síndroma de Eagle, Apófise Estilóide, Odinofagia.

Resumo

Introdução: A Síndroma de Eagle caracteriza-se pelo alongamento da apófise estilóide do osso temporal, a qual comprime as estruturas neurovasculares adjacentes abrangendo, por isso, um amplo espectro de sintomas. Os mais comuns incluem odinofagia e sensação de corpo estranho, mas também disfagia, otalgia, cefaleia, síncope ou até mesmo acidente isquémico transitório. O diagnóstico não é fácil, sendo necessário um alto índice de suspeição, dado que os sintomas podem ser atribuídos a outras patologias. Descrição do caso: Relata-se o caso de uma utente de 35 anos de idade, com odinofagia esquerda persistente com cerca de oito meses de evolução e com múltiplas recorrências a consultas agudas na unidade de saúde familiar e no serviço de urgência. Ao exame objetivo destacava-se apenas rubor da orofaringe. Realizou zaragatoa de exsudado faríngeo e endoscopia digestiva alta que não revelaram alterações. Foi referenciada à consulta de otorrinolaringologia; porém, teve alta por não ter sido detetada patologia. Por persistência de odinofagia intensa, e revelando já alguma ansiedade face à ausência de diagnóstico, foi solicitada uma tomografia computorizada da faringe que evidenciou assimetria das apófises estilóides, considerando a possibilidade de síndroma de Eagle. Optou-se pelo tratamento conservador mas, por refratariedade da sintomatologia, foi referenciada para a consulta de estomatologia. À data da consulta hospitalar apresentava já melhoria das queixas álgicas com terapêutica anti-inflamatória, mantendo o seguimento hospitalar com vigilância anual. Comentário: Apesar de a síndroma de Eagle ser uma patologia rara, deve ser equacionada nos pacientes que apresentam dor cervico-facial crónica, sobretudo quando refratária ao tratamento. Caso contrário, poderá conduzir, erradamente, ao diagnóstico de outras patologias, ao consumo de recursos de saúde e ao desgaste físico e emocional do doente. Assim sendo, o médico de família apresenta um papel importante no reconhecimento desta síndroma, uma vez que os sintomas são comummente encontrados na sua prática clínica diária.

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Publicado

2016-02-01

Como Citar

Fernandes, D. N., Silva, A., Miranda, A., Sousa, L., & Sequeira, J. (2016). Quando uma queixa comum revela um diagnóstico incomum – Síndroma de Eagle. Revista Portuguesa De Medicina Geral E Familiar, 32(1), 65–9. https://doi.org/10.32385/rpmgf.v32i1.11692