Stress e burnout em internos de medicina geral e familiar da zona Norte de Portugal: estudo transversal

Autores

  • Paula Mendes Médica Assistente de Medicina Geral e Familiar. ARS Norte
  • Vítor Portela Cardoso Médico Assistente de Medicina Geral e Familiar. UCSP Esporões, ACES Cávado I – Braga, ARS Norte
  • John Yaphe Professor Associado. Instituto de Ciências da Vida e Saúde (ICVS), Escola de Ciências da Saúde, Universidade do Minho e ICVS / 3B Laboratório Associado

DOI:

https://doi.org/10.32385/rpmgf.v33i1.12020

Palavras-chave:

Burnout, Stress psicológico, Medicina geral e familiar, Internato.

Resumo

Objetivos: Determinar a prevalência de burnout em internos de medicina geral e familiar da zona Norte de Portugal e testar possíveis associações com fatores sociodemográficos, profissionais e stress. Tipo de estudo: Observacional, transversal, com componente analítica. Local: Zona Norte de Portugal. População: Médicos internos de medicina geral e familiar. Métodos: Amostra de conveniência constituída pelos internos presentes nas reuniões das direções de internato entre 3 de novembro a 11 de dezembro de 2009. Aplicámos o Questionário de Stress nos Profissionais de Saúde, o inventário de burnout de Maslach e colhemos dados sociodemográficos e profissionais. Calculámos a prevalência de burnout e testámos associações entre o stress laboral e o burnout. Resultados: Estudámos uma amostra de 210 internos (68% da população), dos quais 72% eram mulheres. A taxa de resposta foi de 92,5%. A maioria dos internos referiu stress moderado (n=127, 60,5%), sobretudo nas ações de formação e em lidar com os pacientes. A prevalência de burnout variou entre 8,6% (IC95% 4,8-12,4%) e 34,3% (IC95% 27,9-40,7%), consoante a definição utilizada. Observámos que 29,8% (IC95% 23,6-36,0%) dos internos apresentavam exaustão emocional (EE) elevada, 17,7% (IC95% 12,5-22,9%) despersonalização (DP) elevada e 43,4% (IC95% 36,7-50,1%) baixa realização pessoal (RP). A DP foi significativamente maior nos homens (p<0,001) e naqueles que não tinham escolhido a medicina geral e familiar como primeira opção (p<0,001). O nível de stress associou-se significativamente com as três dimensões do burnout (EE p<0,001, DP p<0,001 e RP p=0,02). Além disso, os seis domínios de stress associaram-se com a EE (p<0,01), cinco com a DP (p<0,001) e o domínio carreira e remuneração com a RP (p<0,01). Conclusões: Este estudo encontrou uma prevalência estimada de burnout em internos de medicina geral e familiar similar a outros estudos. Os resultados obtidos sublinham a importância na adoção de estratégias de prevenção neste grupo vulnerável.

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Publicado

2017-02-01

Como Citar

Mendes, P., Cardoso, V. P., & Yaphe, J. (2017). Stress e burnout em internos de medicina geral e familiar da zona Norte de Portugal: estudo transversal. Revista Portuguesa De Medicina Geral E Familiar, 33(1), 16–28. https://doi.org/10.32385/rpmgf.v33i1.12020

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