Uso de corticoides sistémicos no tratamento da artrite gotosa aguda: qual a evidência?

Autores

  • Ana Margarida Costa
  • Ana Isabel Ribeiro da Silva

DOI:

https://doi.org/10.32385/rpmgf.v35i5.12293

Resumo

Objetivo: Avaliar a eficácia dos corticóides sistémicos (CS) no tratamento da artrite gotosa aguda (AGA) e os seus benefícios face às terapêuticas clássicas nomeadamente a colchicina e os anti-inflamatórios não esteroides (AINEs).

Fontes de dados: MEDLINE e sítios de medicina baseada na evidência.

Métodos de revisão: Pesquisa de normas de orientação clínica (NOC), revisões sistemáticas (RS), ensaios clínicos aleatorizados e controlados (ECAC) e meta-análises (MA), publicados entre junho/2007 e junho/2017, utilizando os termos MeSH glucocorticoids, gout suppressants, adrenal cortex hormones, acute disease, gout e hyperuricemia. Para avaliar o nível de evidência, foi aplicada a escala Strenght of Recommendation Taxonomy (SORT), da American Family Physician.

Resultados: Foram obtidos 731 artigos, selecionando-se oito NOC, quatro RS e três ECAC. As NOC referem melhoria da sintomatologia da AGA com o uso de CS, AINEs ou colchicina, divergindo nas recomendações relativamente à terapêutica de primeira linha mais adequada. Se por um lado alguns estudos mencionam uma melhoria mais significativa da sintomatologia com o uso de CS, principalmente nos primeiros dias de tratamento, por outro lado citam-nos como tão efetivos quanto o tratamento clássico. De uma forma geral, todos referem mais efeitos secundários nos doentes tratados com AINEs em comparação com os CS. 

Conclusões: Os CS, os AINEs e a colchicina são todos efetivos na gestão terapêutica da AGA. No entanto, os CS apresentam superioridade relativamente aos AINES no que respeita à segurança. Desta forma, a escolha do agente para o tratamento da AGA deve ser determinada com base no perfil do doente.

Downloads

Publicado

2019-10-18

Como Citar

Costa, A. M., & Ribeiro da Silva, A. I. (2019). Uso de corticoides sistémicos no tratamento da artrite gotosa aguda: qual a evidência?. Revista Portuguesa De Medicina Geral E Familiar, 35(5), 401–7. https://doi.org/10.32385/rpmgf.v35i5.12293