Abordagem do pé pendente nos cuidados de saúde primários: relato de caso

Autores

  • Mariana Martinho USF S. Julião ACeS Lisboa Ocidental e Oeiras http://orcid.org/0000-0002-7163-2203
  • Ina Garuta USF Mare ACeS Cascais
  • Isabel Marques USF S. Domingos de Gusmão ACeS Cascais
  • Sérgio Cardoso USF Terras de Cira ACeS Estuário do Tejo
  • Teresa Libório USF S. Julião ACeS Lisboa Ocidental e Oeiras
  • Joana Costa USF Mare ACeS Cascais

DOI:

https://doi.org/10.32385/rpmgf.v37i5.13066

Palavras-chave:

Pé pendente, Nervo peroneal comum, Steppage

Resumo

Introdução: O pé pendente define-se pela incapacidade em elevar o pé por diminuição da força dos músculos dorsiflexores. Para elaborar um plano de tratamento é necessário determinar a sua etiologia. Cabe, assim, ao médico de família reconhecer as situações em que a gestão desta entidade poderá ser feita exclusivamente em cuidados de saúde primários, diferenciando-as das que poderão exigir avaliação e orientação em meio hospitalar.

Descrição do Caso: Homem de 71 anos com hipertensão arterial e dislipidemia, medicado com indapamida. Em consulta com o médico de família referia que, há dois dias, havia permanecido sentado por duas horas com a perna direita cruzada sobre o membro inferior contralateral. Ao levantar-se notou dormência do pé direito, o qual não conseguia elevar. À observação apresentava marcha em steppage, com pé direito pendente e diminuição da sensibilidade do dorso do mesmo. Foi pedida eletromiografia, que documentou acentuada lesão axonal do nervo peroneal comum direito abaixo do colo do perónio, compatível com compressão prolongada. Foi submetido a sessões de fisioterapia, demonstrando resolução completa do quadro após três meses.

Comentário: A neuropatia do nervo peroneal comum é a causa principal de pé pendente e a terceira neuropatia focal mais frequente, depois do nervo mediano e nervo cubital. A etiologia mais frequente é a compressiva. O local mais afetado é onde o nervo contorna o colo do perónio, manifestando-se por marcha em steppage, consequente à diminuição da força dos músculos dorsiflexores do pé. Embora o diagnóstico seja habitualmente clínico, a maioria dos pacientes requer eletromiografia. O tratamento inicial costuma ser conservador, sendo comum ocorrer resolução das queixas em três meses. Esta é uma condição que poderá ser pouco frequente na prática clínica em medicina geral e familiar, mas cuja abordagem poderá, muitas vezes, ser feita em cuidados de saúde primários. É importante saber tranquilizar os pacientes quanto à semiologia, abordagem terapêutica e prognóstico.

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Publicado

2021-11-08

Como Citar

Martinho, M., Garuta, I., Marques, I., Cardoso, S., Libório, T., & Costa, J. (2021). Abordagem do pé pendente nos cuidados de saúde primários: relato de caso. Revista Portuguesa De Medicina Geral E Familiar, 37(5), 468–474. https://doi.org/10.32385/rpmgf.v37i5.13066