Febre de origem indeterminada: relato de um diagnóstico inesperado

Autores

  • Cristiana Santos Antunes USF Amora Saudável http://orcid.org/0000-0002-6725-5193
  • Mariana Costa Figueiredo USF Amora Saudável
  • Filipe Fernandes Bacalhau USF Amora Saudável
  • Francisco Ferreira Silva USF Amora Saudável
  • Maria Esmeralda Covas Amador USF Amora Saudável
  • Luís Miguel Duque Hospital Garcia de Orta

DOI:

https://doi.org/10.32385/rpmgf.v37i5.13084

Palavras-chave:

Infeção VIH, Síndroma de imunodeficiência adquirida , Febre de origem indeterminada, Pneumocistose

Resumo

Introdução: A síndroma de febre de origem indeterminada (FOI) clássica é definida pela presença de temperatura corporal superior a 38,3 °C com duração superior a três semanas, sem diagnóstico definido, apesar de investigação apropriada durante três consultas em ambulatório ou três dias em internamento hospitalar. Implica a realização de uma avaliação criteriosa pelo médico de família, da qual deve resultar uma marcha diagnóstica adequada. Entre as múltiplas etiologias possíveis, a infeção pelo vírus de imunodeficiência humana (VIH) é uma entidade a ter em conta, nomeadamente na presença de fatores de risco para a mesma.

Descrição do Caso: Mulher de 47 anos, raça caucasiana, com antecedentes pessoais de neoplasia do colo do útero submetida a conização há quatro anos. É fumadora, sem hábitos alcoólicos ou toxicofílicos conhecidos. Divorciada, integra uma família monoparental desde 2005, sem vida sexual ativa há cerca de oito anos. Recorre a consulta de doença aguda por quadro de mal-estar geral, cansaço, febre de predomínio vespertino e tosse seca com várias semanas de evolução. Após as primeiras etapas de investigação, a etiologia mantinha-se indeterminada, apesar da recorrência dos sintomas. Perante o quadro clínico de síndroma de FOI foi realizada investigação etiológica mais alargada, da qual se destaca serologia positiva para VIH-1. A utente foi referenciada para consulta de infeciologia e medicada com antirretrovirais e terapêutica dirigida a pneumocistose, uma doença definidora de síndroma de imunodeficiência adquirida (SIDA). Este diagnóstico teve um impacto profundo a nível pessoal, familiar e social, com necessidade de seguimento em consulta de psicologia e psiquiatria.

Comentário: A investigação etiológica da síndroma de FOI neste caso clínico conduziu a um diagnóstico inesperado de SIDA, o que sensibilizou a equipa clínica para a importância do rastreio atempado de VIH, para a correta abordagem da síndroma de FOI e para a importância do acompanhamento longitudinal pelo médico de família, de acordo com o diagnóstico estabelecido.

Biografias Autor

Cristiana Santos Antunes, USF Amora Saudável

Interna de Medicina Geral e Familiar da USF Amora Saudável

Mariana Costa Figueiredo, USF Amora Saudável

Interna de Medicina Geral e Familiar da USF Amora Saudável

Filipe Fernandes Bacalhau, USF Amora Saudável

Interno de Medicina Geral e Familiar da USF Amora Saudável

Francisco Ferreira Silva, USF Amora Saudável

Interno de Medicina Geral e Familiar da USF Amora Saudável

Maria Esmeralda Covas Amador, USF Amora Saudável

Assistente graduada de Medicina Geral e Familiar da USF Amora Saudável

Luís Miguel Duque, Hospital Garcia de Orta

Assistente graduado de Infecciologia, Hospital Garcia de Orta

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Publicado

2021-11-08

Como Citar

Antunes, C. S., Figueiredo, M. C., Bacalhau, F. F., Silva, F. F., Amador, M. E. C., & Duque, L. M. (2021). Febre de origem indeterminada: relato de um diagnóstico inesperado. Revista Portuguesa De Medicina Geral E Familiar, 37(5), 456–461. https://doi.org/10.32385/rpmgf.v37i5.13084