Risco familiar, classificação socioeconómica e multimorbilidade em medicina geral e familiar em Portugal

Autores

  • Renato Marques Bispo Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, Portugal https://orcid.org/0000-0001-6040-5382
  • Luiz Miguel Santiago MD, PhD. Professor Associado com Agregação da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. Consultor, Assistente Graduado Sénior em Medicina Geral e Familiar http://orcid.org/0000-0002-9343-2827
  • Inês Rosendo MD, PhD. Médica Assistente, assistente convidada. USF Coimbra Centro, Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra
  • José Augusto Simões MD, PhD. Professor Associado Convidado da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade da Beira Interior, coordena e preside às unidades curriculares de Cuidados de Saúde Primários I, II e III. http://orcid.org/0000-0003-2264-7086

DOI:

https://doi.org/10.32385/rpmgf.v38i2.13091

Palavras-chave:

Família, Risco, Multimorbilidade, Medicina familiar, Agregado familiar, Tipos de família

Resumo

Objetivos: Perceber se a avaliação familiar está preenchida e atualizada, conhecer o risco familiar e a associação deste e da classificação socioeconómica da família e multimorbilidade com os tipos de famílias estudados no ficheiro de um médico de medicina geral e familiar.

Materiais e Métodos: Estudo observacional transversal numa amostra aleatória representativa dos processos familiares de um médico de família no Centro de Portugal. Recolheram-se dados sobre a escala de risco familiar de Garcia Gonzalez, o Índice de GRAFFAR, o tipo de agregado familiar, o número de patologias crónicas classificadas pela Classificação Internacional de Problemas em Cuidados de Saúde Primários-2, o nível académico mais elevado dos membros da família, a existência ou não de isenção de taxas moderadoras por insuficiência económica e o número de elementos na família.

Resultados: Foram estudados 145 agregados familiares com uma média de 2,94 elementos por agregado. As variáveis que apresentaram diferenças estatisticamente significativas entre os diferentes tipos de famílias foram: o nível socioeconómico, a escolaridade, a distribuição SOCFAM, a escala de risco familiar de Garcia Gonzalez, o número de elementos por agregado familiar e o número de patologias presentes.

Discussão: Não possuindo dados de outros estudos com os quais comparar os presentes, as famílias que apresentaram maior risco foram as alargadas, unitárias e monoparentais, já as famílias reconstruídas e nucleares apresentaram melhores indicadores para risco mais baixo. Torna-se importante alargar este estudo para conhecer melhor a epidemiologia das famílias num contexto geográfico mais alargado.

Conclusão: O elevado risco familiar esteve associado ao tipo de família, ao nível socioeconómico e à maior multimorbilidade familiar.

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Publicado

2022-04-29

Como Citar

Marques Bispo, R., Santiago, L. M., Rosendo, I., & Simões, J. A. (2022). Risco familiar, classificação socioeconómica e multimorbilidade em medicina geral e familiar em Portugal. Revista Portuguesa De Medicina Geral E Familiar, 38(2), 149–56. https://doi.org/10.32385/rpmgf.v38i2.13091

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