Terá a teleconsulta impacto na morbimortalidade dos doentes com patologias crónicas?

Autores

  • Inês Gonçalo Domingos USF do Minho, ACeS Cávado I, ARS Norte https://orcid.org/0000-0002-4012-7693
  • Ana Rita Gonçalves Interna de Medicina Geral e Familiar ACeS Cávado I; USF do Minho;
  • Inês Oliveira Dias Interna de Medicina Geral e Familiar ACeS Cávado I; USF do Minho;
  • Ricardo Jorge Silva ACeS Cávado I; USF do Minho;
  • José Rui Caetano ACeS Cávado I; USF do Minho;
  • Pedro Fonte ACeS Cávado I; USF do Minho; Life and Health Sciences Research Institute (ICVS), School of Medicine, University of Minho; ICVS/3B’s PT; Government Associate Laboratory, Braga/Guimarães, Portugal

DOI:

https://doi.org/10.32385/rpmgf.v38i2.13152

Palavras-chave:

Teleconsulta, Doença crónica, Cuidados de saúde primários, Morbilidade e mortalidade

Resumo

Objetivo: Determinar se existem diferenças entre o acompanhamento por teleconsulta e o acompanhamento habitual nos doentes com patologias crónicas, nos cuidados de saúde primários e secundários, no que concerne à redução da morbilidade e mortalidade.

Fontes dos dados: MEDLINE/PubMed, NHS Evidence, The Cochrane Library e Turning Research Into Practice.

Métodos: Pesquisa de estudos observacionais, ensaios clínicos e revisões sistemáticas nas línguas portuguesa e inglesa, publicados entre janeiro de 2000 e agosto de 2020, utilizando os termos MeSH Chronic Disease, Telemedicine, Remote Consultation, Primary Health Care e General Practice. Para avaliação dos níveis de evidência e da força de recomendação foi aplicada a escala Strength of Recommendation Taxonomy (SORT), da American Family Physician.

Resultados: Obtiveram-se 260 estudos, dos quais apenas oito cumpriram os critérios de inclusão. Cinco dos estudos revelaram benefício significativo na morbimortalidade com o recurso a teleconsulta, face aos cuidados habituais, nomeadamente: melhoria da qualidade de vida e diminuição do número de internamentos em doentes com múltiplas comorbilidades; diminuição de sintomas álgicos e depressão associados a dor músculo-esquelética crónica; diminuição da hospitalização e mortalidade por todas as causas e diminuição de recurso a cuidados de saúde adicionais no caso da insuficiência cardíaca. Dois estudos demonstraram resultados sobreponíveis entre os doentes teleconsultados e os doentes sob cuidados habituais, relativamente ao número de exacerbações e recurso a cuidados de saúde adicionais em doentes asmáticos, número e duração de reinternamento por doença pulmonar obstrutiva crónica ou insuficiência cardíaca e na mortalidade e recursos de cuidados de saúde adicionais nos doentes com múltiplas comorbilidades.

Conclusão: Esta revisão demonstrou não haver um consenso claro quanto aos resultados dos indicadores de morbimortalidade em utentes com patologias crónicas, acompanhados por teleconsulta. Ainda assim, a maioria dos estudos demonstrou benefício do uso de teleconsulta nos indicadores de morbimortalidade dos doentes acompanhados por teleconsulta relativamente aos doentes acompanhados por método habitual. Embora não consonantes, os estudos encontrados demonstraram resultados pelo menos sobreponíveis, e não inferiores, na utilização da teleconsulta quando comparada com o acompanhamento habitual dos doentes. E, considerando a qualidade dos estudos encontrados, são necessários mais estudos neste âmbito para aumentar a robustez dos resultados encontrados e permitir a generalização à prática clínica diária.

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Publicado

2022-04-29

Como Citar

Gonçalo Domingos, I., Gonçalves, A. R., Dias, I. O., Silva, R. J., Caetano, J. R., & Fonte, P. (2022). Terá a teleconsulta impacto na morbimortalidade dos doentes com patologias crónicas?. Revista Portuguesa De Medicina Geral E Familiar, 38(2), 172–81. https://doi.org/10.32385/rpmgf.v38i2.13152