Infeções do trato urinário nos cuidados de saúde primários: estado da arte

Autores

  • Gabriela Machado USF São João do Pragal, ACES Almada-Seixal https://orcid.org/0000-0002-5899-746X
  • Ana Marinho
  • Joana Afonso
  • Marta Freitas
  • Mara Silva
  • Ricardo Coelho

DOI:

https://doi.org/10.32385/rpmgf.v38i2.13337

Palavras-chave:

Infeção do trato urinário, Antibióticos, Resistência antimicrobiana

Resumo

Introdução: A infeção do trato urinário (ITU) é a segunda infeção mais frequente da comunidade.

Objetivos: Determinar os micro-organismos responsáveis pelas ITU nos cuidados de saúde primários e do seu perfil de sensibilidade aos antibióticos, bem como avaliar se a abordagem das ITU está a ser feita de acordo com as recomendações da DGS.

Métodos: Estudo observacional e retrospetivo em quatro USF de Almada. Foram incluídos os utentes de idade igual ou superior a 18 anos, a quem foram codificados os problemas do ICPC-2 (U71-Cistite/Infeção Urinária Outra e U70-Pielonefrite/Pielite), de julho a dezembro de 2019. A recolha da informação foi feita através do programa informático SClínico e da plataforma MIM@UF. As variáveis estudadas foram: sexo, idade, tipo de ITU, pedido de urocultura, antibioterapia empírica, resultado da urocultura e teste de sensibilidade aos antimicrobianos.

Resultados: Das 963 ITU, 88,3% ocorreram em mulheres, principalmente entre os 68 e 77 anos (18,9%). O tipo de ITU mais prevalente foi a cistite não complicada na mulher não grávida (56,3%). A antibioterapia empírica foi prescrita em 86,7% dos casos, sendo a fosfomicina o antibiótico mais utilizado (58,6%). Foram feitos 405 pedidos de urocultura, na sua maioria com resultado positivo. O micro-organismo mais frequentemente identificado foi a E. coli (66,4%), sendo o mais prevalente em todos os grupos etários e nos diferentes tipos de ITU, e sensível em 63,7% dos casos à fosfomicina. Na análise global das diferentes unidades verificou-se que a urocultura foi pedida em concordância com a norma da DGS em 70,4% dos casos e que a antibioterapia empírica esteve de acordo com a DGS em 63% dos casos.

Conclusões: Neste estudo conclui-se que as ITU são mais frequentes nas mulheres entre os 68 e 77 anos. O micro-organismo mais prevalente é a E.coli, apresentando uma sensibilidade significativa à fosfomicina e à nitrofurantoína.

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Publicado

2022-04-29

Como Citar

Machado, G., Marinho, A., Afonso, J. ., Freitas, M., Silva, M., & Coelho, R. (2022). Infeções do trato urinário nos cuidados de saúde primários: estado da arte. Revista Portuguesa De Medicina Geral E Familiar, 38(2), 137–45. https://doi.org/10.32385/rpmgf.v38i2.13337