Ninguém nasce com micose

Autores

  • Ana Paiva USF São João de Sobrado
  • Ana Luísa Silva
  • Maria João Cruz

DOI:

https://doi.org/10.32385/rpmgf.v38i5.13365

Palavras-chave:

Mau alinhamento congénito ungueal do hálux, Onicomicose, Anomalias ungueais

Resumo

Introdução: O mau alinhamento congénito ungueal do hálux carateriza-se pelo desvio lateral do prato ungueal, com consequente hiperqueratose e distrofia ungueal. Sem etiologia completamente esclarecida, reconhecem-se causas genéticas e fatores extrínsecos, tais como microtraumatismos recorrentes. Esta condição é frequentemente mal diagnosticada e tratada como onicomicose. Comummente, este desvio está presente desde o nascimento, surgindo alterações ungueais habitualmente nos primeiros anos de vida. Na maioria dos casos, verifica-se apenas um desvio ligeiro que pode passar despercebido até à infância tardia/puberdade, quando ocorrem alterações ungueais marcadas resultantes de stress mecânico. Os casos sem distrofia significativa não carecem de intervenção. Nos restantes, está indicado o tratamento conservador com formulações tópicas de ureia.

Descrição do caso: Menina de 7 anos, previamente saudável, foi referenciada à consulta de Dermatologia pela Médica de Família por “onicomicose das unhas dos háluxes” refratária a tratamento com antifúngicos tópicos nos últimos 18 meses. Ao exame objetivo, apresentava unhas de coloração amarelo-acastanhada e hiperqueratose com distrofia de ambos os háluxes, valgismo bilateral dos primeiros dedos e distrofia ungueal dos segundos dedos dos pés, sem sinais inflamatórios. A menina apresentava alterações ungueais desde o nascimento, sem história de trauma, e o pai apresentava um quadro idêntico, também resistente ao tratamento com antifúngicos, desde há vários anos. Foi assumido o diagnóstico de distrofia ungueal secundária ao mau alinhamento congénito ungueal dos háluxes. Recomendou-se a aplicação de um creme de ureia e raspagem das unhas de acordo com o conforto da criança.

Comentário: O conhecimento desta entidade permite estabelecer um correto diagnóstico, evitando tratamentos desnecessários e possíveis efeitos adversos. Sublinha-se a importância de uma história clínica cuidada, com destaque para o início do quadro clínico e a existência de quadros semelhantes na família. A aparência ungueal dismórfica desde o nascimento ou primeira infância deverá alertar para uma condição diferente de onicomicose, sendo esta infrequente em idades tão precoces.

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Referências

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Publicado

2022-11-09

Como Citar

Paiva, A., Silva, A. L., & Cruz, M. J. (2022). Ninguém nasce com micose. Revista Portuguesa De Medicina Geral E Familiar, 38(5), 531–3. https://doi.org/10.32385/rpmgf.v38i5.13365