Utilização e atitudes face aos contactos telefónicos e por e-mail entre médicos e pacientes: questionário aos médicos de família da Unidade Local de Saúde de Matosinhos

Autores

  • Carla Ponte Médica de Família USF Porta do Sol, ULS Matosinhos
  • Mónica Granja
  • Graça Lima

DOI:

https://doi.org/10.32385/rpmgf.v38i3.13404

Palavras-chave:

Medicina geral e familiar, Acesso aos cuidados de saúde, Correio eletrónico, Telefone

Resumo

Introdução: Os contactos não presenciais entre médicos de família e pacientes são componente chave da acessibilidade aos cuidados.

Objetivos: Determinar a frequência de utilização do telefone e e-mail entre os médicos de família de Matosinhos e os seus pacientes, bem como as atitudes perante este tipo de contactos.

Métodos: Estudo transversal sobre um censo aos médicos de família de Matosinhos, por aplicação de questionário anónimo, de autopreenchimento, em papel. Tratamento de dados com estatística descritiva.

Resultados: Obtiveram-se 81 questionários preenchidos (taxa de resposta de 90,0%). Todos os médicos de família referem usar o telefone com pacientes, mas 1/3 nunca/raramente usa o e-mail. A maioria considera que o uso do telefone e e-mail com pacientes é uma sobrecarga, que não tem tempo para esses contactos, mas que facilita a gestão da lista/consulta. A maioria considera também que usaria mais o telefone e o e-mail se pudessem fazer registos em tempo real e que usaria mais o telefone se fosse contabilizado no desempenho. Médicos de família com listas maiores trocam mais telefonemas com pacientes. Médicos de família em USF-B usam mais e-mail com pacientes. Os médicos de família que menos usam o e-mail são os que mais consideram que é uma sobrecarga e que o risco do seu uso é superior ao benefício, sendo também os que mais discordam que o e-mail facilita a gestão da lista/consulta e os que mais afirmam que não usariam mais o e-mail se tal fosse contabilizado no desempenho.

Conclusão: Todos os médicos de família usam telefone com pacientes, mas expressam várias atitudes negativas. Os médicos de família que mais usam e-mail têm atitudes mais positivas perante essa prática que aqueles que o usam raramente ou não usam. As políticas organizativas devem considerar as atitudes dos médicos de família.

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Publicado

2022-07-07

Como Citar

Ponte, C., Granja, M., & Lima, G. (2022). Utilização e atitudes face aos contactos telefónicos e por e-mail entre médicos e pacientes: questionário aos médicos de família da Unidade Local de Saúde de Matosinhos. Revista Portuguesa De Medicina Geral E Familiar, 38(3), 258–68. https://doi.org/10.32385/rpmgf.v38i3.13404

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