https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/issue/feed Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar 2022-07-07T00:00:00+00:00 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar secretariado@rpmgf.pt Open Journal Systems <p>A Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar é um órgão oficial da Associação Portuguesa de Medicina Geral Familiar. Visa contribuir para o desenvolvimento da especialidade de Medicina Geral e Familiar e dos Cuidados de Saúde Primários, através de uma publicação científica isenta, rigorosa e atual.</p> <p>É publicada desde 1984 com uma periodicidade bimestral.</p> https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13198 Medicina sem fronteiras: os desafios da população imigrante 2021-06-05T10:58:29+00:00 Daniela Sofia Abreu Silva danielaabreusilv@gmail.com Francisco Macedo franciscojsmacedo@gmail.com Dolores Quintal mariadquintal@gmail.com <p>A migração é um fenómeno que tem vindo a crescer globalmente e também em Portugal. Durante o processo de migração, os indivíduos ultrapassam diversas transições que podem desencadear desequilíbrios e potenciar o surgimento de problemas de saúde. Os imigrantes estão em particular risco de sofrer disparidades nas oportunidades de acesso aos cuidados de saúde e tratamento médico como consequência de múltiplos fatores. As necessidades da população migrante em crescimento são um desafio para os sistemas de saúde. Este grupo é heterogéneo e apresenta características distintas pelo que as competências culturais são essenciais para a prática clínica do médico de família que, cada vez mais, se depara com uma população mais diversa do ponto de vista cultural. Neste trabalho pretende-se focar particularidades dos utentes imigrantes, compreender os maiores desafios encontrados na sua abordagem e rever estratégias que melhorem o acesso e os cuidados prestados a esta população, à luz da medicina centrada na pessoa.</p> 2022-07-07T00:00:00+00:00 Direitos de Autor (c) 2022 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13251 Lacrimejo durante a mastigação associado a paralisia facial: relato de caso da síndroma de lágrimas de crocodilo 2021-11-15T17:01:52+00:00 Ana Teresa Fróis atfrois@gmail.com <p><strong>Introdução</strong>: O lacrimejo anormal com a mastigação é uma queixa incomum, que pode surgir após uma paralisia do nervo facial de qualquer etiologia. O mecanismo por trás deste sintoma não está claramente estabelecido e não existe consenso quanto à melhor opção terapêutica. Este caso realça o papel do médico de família na educação e tranquilização do doente, fundamentais para a aceitação e controlo do impacto emocional associado.</p> <p><strong>Descrição do caso</strong>: Homem, 56 anos. Recorreu ao médico de família em fevereiro de 2020 por chorar quando comia. Afetava apenas o olho esquerdo e teria começado cerca de um ano antes, enquanto realizava reabilitação de paralisia facial periférica secundária a cirurgia por neurinoma do acústico. Simultaneamente apresentava congestão nasal profusa da narina esquerda. A hemiface esquerda apresentava tónus muscular superior à direita. Os sintomas iniciaram-se concomitantemente à recuperação da função motora. Na consulta de seguimento de neurocirurgia, o paciente mencionou o lacrimejo anormal e foi-lhe dito que era uma sequela sem necessidade de investigação adicional. O paciente queria saber mais sobre o seu sintoma e possíveis soluções, tendo consultado o seu médico de família. Após revisão da literatura, a hipótese diagnóstica foi encontrada e explicada ao utente e as opções terapêuticas foram abordadas. O paciente considerou desnecessário submeter-se a um procedimento invasivo com resultados incertos, tendo optado por ajustes no seu dia-a-dia. O esclarecimento do diagnóstico foi suficiente para reduzir significativamente a sua preocupação.</p> <p><strong>Comentário</strong>: Apesar de o lacrimejo com ingestão de alimentos não ser tão impactante como a paralisia facial, enquanto sequelas da cirurgia a neurinoma do acústico, associa-se a grande impacto emocional, com frequente evitamento de refeições sociais. Deve fornecer-se informação completa, pois poderá ser suficiente para proporcionar alívio ou, caso o paciente pretenda tratamento, permitir a sua orientação adequada.</p> 2022-07-07T00:00:00+00:00 Direitos de Autor (c) 2022 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13221 Pericardite lúpica: dor torácica e febre em tempos de COVID-19 2022-01-24T19:45:12+00:00 Gustavo Gonçalves Costa gustavo.cst@gmail.com André Rosas Pereira andrerosaspereira@hotmail.com Ana Sofia Carvalho anasofc@hotmail.com <p><strong>Introdução</strong>: O lúpus eritematoso sistémico (LES) é uma doença inflamatória crónica, multissistémica e imunomediada de etiologia desconhecida. Em Portugal estima-se que 0,07% da população apresente este diagnóstico, sendo que os primeiros sintomas se manifestam na faixa etária dos 16 aos 49 anos em 75% dos casos. As manifestações clínicas da LES são múltiplas e relacionam-se com o caráter multissistémico desta patologia. A heterogeneidade da apresentação clínica estende-se desde as alterações muco-cutâneas ou articulares ligeiras (90%) até ao comprometimento da função renal, pulmonar, cardíaca, hematológica ou neuropsiquiátrica.</p> <p><strong>Descrição do caso</strong>: Utente do sexo feminino, com 18 anos, com antecedentes de LES, recorreu a consulta aberta na USF por queixas de toracalgia subesternal de início insidioso, agravada pela inspiração profunda e alívio com a flexão anterior do tórax, com noção de dispneia, tosse irritativa e febre associadas.</p> <p><strong>Comentário</strong>: O LES, devido ao seu caráter multissistémico e crónico, é responsável por um amplo conjunto de manifestações clínicas, sendo considerado por muitos “um dos grandes imitadores”. No contexto epidemiológico atual a presença de sintomas como febre, dor torácica e tosse sugere de imediato a hipótese diagnóstica da doença COVID-19, que indubitavelmente deve ser excluída. Contudo, o papel do médico de família, como conhecedor privilegiado dos antecedentes pessoais do utente, nomeadamente das suas doenças crónicas e do seu seguimento, bem como das manifestações clínicas associadas à sua recorrência ou agudização, permite-lhe uma suspeição diagnóstica sustentada.</p> 2022-07-07T00:00:00+00:00 Direitos de Autor (c) 2022 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13441 Lesões cutâneas furunculoides com um diagnóstico inesperado: relato de caso 2022-04-15T11:40:46+00:00 Joana Maria Ribeiro Silva joanamariarsilva@gmail.com Paula Varandas pcvarandas@gmail.com Filipe Santos filipemsantos1995@gmail.com Carla Cardoso carlasofiavcardoso@gmail.com Sara Leite leite.sara1@gmail.com <p><strong>Introdução:</strong> Miíase é a infeção causada por larva de mosca, ocorrendo nas regiões (sub)tropicais. Nos países não-endémicos torna-se relevante, dado que os viajantes que regressam podem importar infeções, expandindo a transmissão destes agentes. A miíase furuncular mimetiza dermatoses comuns, podendo originar tratamentos inadequados. Pretende-se caracterizar as lesões, auxiliar no diagnóstico e tratamento, enfatizando a importância de anamnese adequada.</p> <p><strong>Descrição do caso:</strong> Homem, 40 anos, sem antecedentes pessoais relevantes, medicação, alergias e com programa nacional de vacinação atualizado. Recorre ao centro de saúde por três lesões cutâneas, eritematosas, moderadamente dolorosas, desde há oito dias. Nega outros sintomas, picadas ou lesões semelhantes nos conviventes. Refere viagem recente a São Tomé e Príncipe. São observadas três lesões semelhantes a furúnculos com orifício central. Prescreveu-se antibiótico oral, aguardando-se recomendações por medicina do viajante e tropical. Horas depois contacta-se o utente, aconselhando-se a evicção da expressão das lesões e a oclusão dos orifícios centrais com vaselina, forçando a exteriorização da larva. No dia seguinte emergiram e foram removidas as larvas de cada lesão. Um mês depois, as lesões cicatrizaram deixando apenas hiperpigmentação cutânea.</p> <p><strong>Comentário:</strong> A miíase furuncular manifesta-se como lesão semelhante a furúnculo com orifício central, sendo a larva evidenciada através da visualização da extremidade posterior. Sensação de movimento, prurido e dor de aparecimento noturno são sintomas frequentemente reportados. A completa remoção das larvas e a prevenção e controlo de infeção secundária são os objetivos do tratamento. Considerar a miíase entre os diagnósticos diferenciais de lesões furunculoides reduz o uso injustificado de antibióticos e as resistências. Por outro lado, o contexto dos cuidados primários favorece uma oportunidade ótima à prestação de cuidados preventivos e educação para a saúde relativa ao viajante. Atender às exposições de risco e uma anamnese cuidada previne o estabelecimento da mosca responsável pela miíase em regiões não endémicas.</p> 2022-07-07T00:00:00+00:00 Direitos de Autor (c) 2022 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13356 Quando um aneurisma se faz passar por cisto sebáceo: a propósito de um caso clínico 2022-01-14T17:54:30+00:00 Joana Pinto joanapinto_goncalo@hotmail.com Maricruz Magalhães maricruznunes@live.com.pt Ariana Silva arianasilva_92@hotmail.com <p><strong>Introdução:</strong> Os aneurismas da artéria temporal superficial (ATS) não traumáticos são extremamente raros, constituindo cerca de 8% de todos os aneurismas da ATS. Apresentam-se habitualmente como uma massa pulsátil na região temporal ou parietal, frequentemente não dolorosa. Em termos etiológicos, a hipertensão e a arteriosclerose parecem ser as principais causas dos aneurismas não-traumáticos da ATS. Como diagnósticos diferenciais encontram-se o hematoma subcutâneo, doenças inflamatórias como a arterite de células gigantes, cisto sebáceo, entre outros. O tratamento dos aneurismas da ATS é cirúrgico. Considerando que se trata de uma entidade rara, com uma diversidade de diagnósticos diferenciais e sendo importante um diagnóstico atempado, este relato de caso é relevante para a prática clínica e tem como objetivo sensibilizar os colegas para esta patologia.</p> <p><strong>Descrição do caso:</strong> Mulher de 67 anos, que recorreu a consulta aberta devido a uma tumefação na região temporal direita com um mês de evolução, dolorosa e acompanhada por cefaleia temporal direita, com agravamento progressivo e sem resposta franca ao tratamento analgésico. Ao exame objetivo apresentava tumefação temporal direita, com cerca de 1,5cm, não pulsátil, dura, dolorosa à palpação, sem outros sinais inflamatórios. Sem alterações ao exame neurológico sumário. Realizou ecografia com estudo <em>doppler</em> que revelou aneurisma da ATS trombosado. A utente foi submetida a exérese cirúrgica do aneurisma sete dias após a observação inicial, sem intercorrências.</p> <p><strong>Comentário:</strong> O aneurisma da ATS não traumático é uma entidade extremamente rara. Na situação particular desta utente, a atipia da dor à palpação da tumefação, associada ao quadro de cefaleia localizada, levantaram no médico de família a suspeita de não se tratar de apenas mais um cisto sebáceo. Por este motivo, e apesar de raro, o aneurisma da ATS deverá ser sempre considerado em qualquer tumefação que surja de novo na região temporal.</p> 2022-07-07T00:00:00+00:00 Direitos de Autor (c) 2022 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13552 Do longe se faz perto: desafios e oportunidades da prestação de cuidados remotos em medicina geral e familiar 2022-07-04T21:52:10+00:00 Ana Luisa Neves ana.luisa.neves14@ic.ac.uk <p>Durante décadas, a prestação remota de cuidados de saúde emergiu como uma alternativa para mitigar alguns dos desafios observados em cuidados primários. As novas tecnologias foram inicialmente apresentadas como uma estratégia para potenciar o acesso a cuidados de saúde em áreas rurais ou de difícil acesso, de forma a garantir cobertura geográfica e otimizar o acesso universal. No entanto, a potencial aplicação estendeu-se progressivamente a outros contextos, como uma opção conveniente em grupos selecionados de utilizadores.</p> 2022-07-07T00:00:00+00:00 Direitos de Autor (c) 2022 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13225 Call center COVID-19: centralidade no doente e tempo para profissionais de saúde 2021-11-17T17:19:05+00:00 Rui Malha rui.malha@gmail.com Alexandra Fernandes alexandra.fernandes@arslvt.min-saude.pt Marta Marquês marta.marques@arslvt.min-saude.pt Pedro Pacheco pedro.pacheco@arslvt.min-saude.pt <p><strong>Introdução: </strong>No âmbito da pandemia COVID-19 foi criada a plataforma TraceCOVID-19, preconizando a Direção-Geral da Saúde o contacto telefónico diário de todos os doentes suspeitos ou infetados por SARS-CoV-2 pelas equipas de família. Com o crescente número de casos suspeitos era essencial reduzir a necessidade de contactos ao mínimo indispensável, centralizando a vigilância nos próprios doentes e contrariar a Lei dos Cuidados Inversos.</p> <p><strong>Objetivos: </strong>Criar um <em>call center</em> que facilitasse as tarefas de acompanhamento dos doentes em TraceCOVID-19, diminuindo a necessidade de contactos diários e permitindo aos profissionais de saúde a escolha de uma periodicidade de vigilância consoante o estado do doente/data prevista do resultado de teste de diagnóstico. Colocar o doente no centro da decisão do seu estado de saúde, promovendo a sua autonomia.</p> <p><strong>Método: </strong>Criação e parametrização de um <em>call center</em> através da solução <em>Amazon Connect</em>®; criação e divulgação, por todos os profissionais do ACeS Almada-Seixal, de um protocolo baseado neste modelo de vigilâncias; criação de uma folha <em>Excel</em>® partilhada para organização interna e definição de periodicidades de contacto.</p> <p><strong>Resultados: </strong>O projeto decorreu entre 26 de abril e 15 de julho de 2020. Durante este período foi possível reduzir os contactos realizados diariamente em 58,5%, sendo a periodicidade de vigilância de três em três dias a mais escolhida pelos profissionais. O <em>call center</em> recebeu em média 52 chamadas telefónicas por dia.</p> <p><strong>Discussão/Conclusão:</strong> A existência de um <em>call center</em> permitiu alargar o intervalo entre contactos, reduzir as horas de trabalho médicas e de enfermagem dedicadas a vigilâncias TraceCOVID-19, libertando recursos humanos que ficaram disponíveis para retomar a restante atividade assistencial. Foi possível otimizar o modelo de acompanhamento clínico de doentes COVID-19, tendo por base um atendimento de proximidade, centrado no doente.</p> 2022-07-07T00:00:00+00:00 Direitos de Autor (c) 2022 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13218 Medicina centrada na pessoa: validação populacional de um instrumento de medida pela pessoa 2021-06-16T10:12:44+00:00 Beatriz Margarida Coelho bmmcoelho@sapo.pt Luiz Miguel Santiago luizmiguel.santiago@gmail.com <p><strong>Objetivos</strong>: Adaptar e validar culturalmente para a língua portuguesa (de Portugal) o Questionário Perceção do Cuidado Centrado na Pessoa (PCCP), de Moira Stewart, com uma consistência interna descrita de 0,8 (alfa de Cronbach).</p> <p><strong>Métodos</strong>: Foram realizadas a tradução do PCCP para a língua portuguesa, a análise por especialistas médicos, a retro-tradução e a medição do grau de legibilidade. Um estudo observacional multicêntrico foi realizado em quasi-aleatorização numa amostra de conveniência de pessoas que compareceram a consultas de medicina geral e familiar, a quem foi aplicado o Questionário PCCP, bem como a avaliação epidemiológica (género, idade e formação académica). A consistência interna, pelo alfa de Cronbach, e a análise estatística descritiva e inferencial foram feitas para o nível de significância <em>p</em>&lt;0,01.</p> <p><strong>Resultados</strong>: O Questionário PCCP demonstrou uma consistência interna aceitável, sendo o alfa de Cronbach global de 0,72, variando entre 0,69 e 0,72. As correlações item-total variaram entre 0,32 e 0,65. O teste F foi de 32343,09, <em>p</em>&lt;0,001 e a fiabilidade de <em>ρ</em>=0,96; <em>p</em>&lt;0,001. O Índice de Flesch revelou que o questionário é de fácil legibilidade. Em <em>n</em>=570, 36,8% eram mulheres, 17,0% menores de 35 anos e 48,9% apresentavam o sexto ano de formação académica. A média±dp do total da pontuação foi de 32,7±3,7 e a mediana 33, num mínimo de 13 e máximo de 36 pontos. Não foram encontradas diferenças na análise por género (<em>p</em>=0,73), idade (<em>p</em>=0,57) e formação académica (<em>p</em>=0,44) para a pontuação total média do PCCP.</p> <p><strong>Conclusão:</strong> O Questionário PCCP foi adaptado transculturalmente e revelou ser de fácil compreensão. Apresentou um valor adequado de alfa de Cronbach (α=0,72), apesar de ligeiramente inferior ao da versão inglesa (α=0,80). É agora possível estudar a perceção pela pessoa da prática de uma medicina centrada na pessoa.</p> 2022-07-07T00:00:00+00:00 Direitos de Autor (c) 2022 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13404 Utilização e atitudes face aos contactos telefónicos e por e-mail entre médicos e pacientes: questionário aos médicos de família da Unidade Local de Saúde de Matosinhos 2022-01-13T22:37:59+00:00 Carla Ponte carla.ponte.pds@gmail.com Mónica Granja monicagranja66@gmail.com Graça Lima graca.m.lima@gmail.com <p><strong>Introdução</strong>: Os contactos não presenciais entre médicos de família e pacientes são componente chave da acessibilidade aos cuidados.</p> <p><strong>Objetivos</strong>: Determinar a frequência de utilização do telefone e <em>e-mail</em> entre os médicos de família de Matosinhos e os seus pacientes, bem como as atitudes perante este tipo de contactos.</p> <p><strong>Métodos</strong>: Estudo transversal sobre um censo aos médicos de família de Matosinhos, por aplicação de questionário anónimo, de autopreenchimento, em papel. Tratamento de dados com estatística descritiva.</p> <p><strong>Resultados</strong>: Obtiveram-se 81 questionários preenchidos (taxa de resposta de 90,0%). Todos os médicos de família referem usar o telefone com pacientes, mas 1/3 nunca/raramente usa o <em>e-mail</em>. A maioria considera que o uso do telefone e <em>e-mail</em> com pacientes é uma sobrecarga, que não tem tempo para esses contactos, mas que facilita a gestão da lista/consulta. A maioria considera também que usaria mais o telefone e o <em>e-mail</em> se pudessem fazer registos em tempo real e que usaria mais o telefone se fosse contabilizado no desempenho. Médicos de família com listas maiores trocam mais telefonemas com pacientes. Médicos de família em USF-B usam mais <em>e-mail</em> com pacientes. Os médicos de família que menos usam o <em>e-mail</em> são os que mais consideram que é uma sobrecarga e que o risco do seu uso é superior ao benefício, sendo também os que mais discordam que o <em>e-mail</em> facilita a gestão da lista/consulta e os que mais afirmam que não usariam mais o <em>e-mail</em> se tal fosse contabilizado no desempenho.</p> <p><strong>Conclusão</strong>: Todos os médicos de família usam telefone com pacientes, mas expressam várias atitudes negativas. Os médicos de família que mais usam <em>e-mail</em> têm atitudes mais positivas perante essa prática que aqueles que o usam raramente ou não usam. As políticas organizativas devem considerar as atitudes dos médicos de família.</p> 2022-07-07T00:00:00+00:00 Direitos de Autor (c) 2022 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13243 Sintomas e características clínicas de indivíduos com infeção por SARS-CoV-2 em seguimento domiciliário 2021-12-02T17:37:57+00:00 Margarida Glórias Ferreira margarida.fielferreira@gmail.com Bianca Brandão bianca_7_brandao@hotmail.com Sofia Cassamo sofiacassamo@gmail.com Ana Catarina Silva acatarina.silva@hotmail.com Mílvia Jorge milvia.jorge@arslvt.min-saude.pt <p><strong>Introdução: </strong>Os doentes assintomáticos ou com sintomatologia ligeira a moderada representam 80-85% dos doentes infetados com SARS-CoV-2. Um melhor conhecimento sobre o curso da doença, os sinais de agravamento, podem ser de grande importância para uma otimização do seguimento destes doentes e antecipação de complicações.</p> <p><strong>Objetivo: </strong>Estudar as características e evolução da doença por SARS-CoV-2 pelos cuidados de saúde primários, em indivíduos com critério para vigilância domiciliária.</p> <p><strong>Métodos: </strong>Identificados doentes com infeção confirmada, inscritos na plataforma Trace COVID-19 e atribuídos à USF, de 26/Mar a 30/Jun de 2020. Os dados foram recolhidos através de contacto telefónico, tendo sido estudadas as variáveis: número de casos; caracterização demográfica, clínica e laboratorial, assim como evolução da doença. A análise dos dados foi efetuada no programa <em>Microsoft® Excel</em>.</p> <p><strong>Resultados: </strong>Dos 41 indivíduos estudados, 53,7% era do sexo feminino e a média de idades foi de 44,9 anos. A duração média dos sintomas foi de 15,9 dias, sendo a mialgia o sintoma mais prevalente (61%). Em relação às comorbilidades, a patologia mais frequentemente encontrada foi a hipertensão arterial (22%). De acordo com a evolução clínica apenas 14,6% teve necessidade de observação em áreas dedicadas à COVID-19 na comunidade ou no serviço de urgência hospitalar.</p> <p><strong>Conclusões: </strong>Os sintomas gripais, como mialgias (61%), cefaleias (58,5%), cansaço (56,1%) e tosse (48,8%), foram os mais frequentes. O único doente com necessidade de internamento apresentava como única comorbilidade a obesidade. Este é hoje reconhecido como um fator de risco para complicações associadas à COVID-19, a par da idade (acima dos 65 anos), das doenças cardiovasculares, da doença pulmonar crónica e da diabetes. Este estudo constitui um contributo para uma melhor caracterização desta patologia conhecida apenas há cerca de dois anos e reforça a importância do médico de família no seguimento dos doentes e integração de cuidados.</p> 2022-07-07T00:00:00+00:00 Direitos de Autor (c) 2022 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13325 Motivar o doente: um trunfo esquecido na adesão ao tratamento? 2022-01-24T08:44:35+00:00 Ana Beatriz Medeiros anabcmedeiros@gmail.com Joana Teixeira joanateixeira@chpl.min-saude.pt <p>A motivação do doente tem conhecidas implicações no seu processo de adesão ao projeto terapêutico. Na prática clínica, a parca motivação do utente dificulta a sua proatividade. Consequentemente, interfere negativamente com o cumprimento da medicação ou a adoção de estilos de vida saudáveis, prejudicando a abordagem de diversas patologias, sobretudo das crónicas. De um modo geral, os estudos revelam que a motivação do utente é um conceito largamente utilizado pelos profissionais de saúde, embora com uma definição imprecisa. Maioritariamente é encarada como um traço caracterial, que se traduz na dicotomia entre doente motivado/doente desmotivado, com um enviesamento para a segunda categorização. Esta perspetiva deposita apenas do lado do doente a capacidade da mudança, com consequências negativas para ambos os intervenientes da relação médico-doente. Porém, desde a publicação do Modelo da Entrevista Motivacional (EM), na década de 1980, têm sido documentadas técnicas específicas para aceder ao estado motivacional dos doentes, com vista à sua modificação. Tradicionalmente aplicados às perturbações de uso de substâncias, estes modelos têm mostrado benefício em diversos programas reabilitativos de doenças crónicas. O entendimento do estado motivacional do utente enquanto percurso dinâmico, permeável à modificação externa e passível de modelação por parte do profissional de saúde, aliado ao treino de competências nesta área, poderá melhorar prognósticos, aumentar a satisfação do utente e do profissional e reduzir gastos financeiros nos sistemas de saúde.</p> 2022-07-07T00:00:00+00:00 Direitos de Autor (c) 2022 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13178 Qual o papel da quetiapina na fibromialgia? 2021-12-30T08:58:37+00:00 Rodrigo Miguel Loureiro rodrigo.mrsp.loureiro@gmail.com Daniela Alves Azevedo daniela.aa_24@hotmail.com <p><strong>Introdução: </strong>A fibromialgia é uma síndroma reumatológica crónica, de etiologia desconhecida, caracterizada pela distribuição generalizada de queixas álgicas e uma multiplicidade de sintomas. O seu tratamento continua a ser um importante desafio. Alguns fármacos antipsicóticos, como a quetiapina, têm sido estudados como terapêutica adjuvante. No entanto, existe ainda alguma controvérsia relativamente à sua eficácia e segurança. O objetivo deste trabalho foi avaliar o papel da quetiapina no controlo de sintomas em indivíduos com fibromialgia.</p> <p><strong>Métodos: </strong>Foi realizada uma revisão bibliográfica com pesquisa de artigos em diferentes plataformas científicas utilizando os termos MeSH <em>fibromyalgia </em>e<em> quetiapine</em>. Foram incluídos estudos que cumpriam os critérios definidos pelo modelo PICOS: (P) adultos com diagnóstico de fibromialgia; (I) plano terapêutico com recurso a quetiapina; (C) placebo ou outro tipo de comparador; (O) alívio de sintomas e perfis de tolerabilidade e segurança; (S) revisões sistemáticas e ensaios clínicos aleatorizados controlados. Foi utilizada a escala <em>Strength of Recommendation Taxonomy</em>, da <em>American Academy of Family Physicians</em>, para avaliação dos níveis de evidência e atribuição de forças de recomendação.</p> <p><strong>Resultados: </strong>Dos 66 artigos encontrados foram selecionados três ensaios clínicos aleatorizados controlados. Os resultados encontrados são heterogéneos e apesar de, na sua generalidade, parecerem mostrar vantagem no controlo dos principais sintomas dos doentes com a utilização da quetiapina não foi encontrada evidência robusta que comprove um benefício inequívoco. Os autores relataram boa tolerância e ausência de efeitos adversos severos com o seu uso.</p> <p><strong>Conclusões: </strong>A evidência atual é de fraca qualidade, não livre de viés e de difícil generalização, apesar de aparentemente favorável no alívio parcial de alguns sintomas de doentes com fibromialgia (força de recomendação B). Este perfil positivo não é sustentado por significância estatística. É necessário realizar novos estudos, mais robustos, com estrutura e metodologia mais específicas, claras e consensuais, de forma a chegar a conclusões de qualidade.</p> 2022-07-07T00:00:00+00:00 Direitos de Autor (c) 2022 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar