https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/issue/feed Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar 2021-11-08T16:05:19+00:00 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar secretariado@rpmgf.pt Open Journal Systems <p>A Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar é um órgão oficial da Associação Portuguesa de Medicina Geral Familiar. Visa contribuir para o desenvolvimento da especialidade de Medicina Geral e Familiar e dos Cuidados de Saúde Primários, através de uma publicação científica isenta, rigorosa e atual.</p> <p>É publicada desde 1984 com uma periodicidade bimestral.</p> https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/12962 Hipericão na perturbação depressiva: revisão crítica de autor 2021-07-17T12:16:07+00:00 Tiago Francisco da Cunha Costa tiago_costa_25@hotmail.com Ana Filipa Paraíso paraisofilipa@gmail.com Daniela Marafona Pereira danielapereira.icbas@gmail.com Maria João Coelho maria.joaoccoelho@hotmail.com <p><strong>Objetivos</strong>: Rever a evidência existente quanto à eficácia, tolerabilidade e segurança do hipericão no tratamento da perturbação depressiva (PD).</p> <p><strong>Fontes de dados: </strong>NICE,<em> Canadian Medical Association Infobase, </em>PubMed – <em>Clinical Queries, The Cochrane Library</em>, BMJ,<em> Bandolier </em>e DARE – <em>Centre for Reviews and Dissemination.</em></p> <p><strong>Método: </strong>Foi realizada a pesquisa de artigos científicos em plataformas <em>online</em> de medicina baseada na evidência, com as palavras-chave<em> Hypericum</em> e <em>Depressive Disorder</em>. A seleção dos artigos foi feita com base no título, ano de publicação e resumo.</p> <p><strong>Resultados: </strong>Foram incluídas nesta revisão duas normas de orientação clínica (NOC), três meta-análises (MA), duas revisões sistemáticas (RS) e um artigo original (AO). Uma NOC referiu que o hipericão pode ser usado como primeira linha na PD <em>major</em> ligeira a moderada e como tratamento adjuvante de segunda linha na PD <em>major</em> moderada a grave. A outra NOC não aconselha o seu uso. As MA e as RS concluíram que o hipericão apresenta uma eficácia superior ao placebo no tratamento da PD, sendo que duas MA e duas RS acrescentaram que não há aumento dos efeitos adversos. Duas RS referiram o risco de interações com outros fármacos. O AO também afirma a eficácia do hipericão nas mulheres na pós-menopausa.</p> <p><strong>Conclusão:</strong> Existe evidência quanto à eficácia do hipericão na PD ligeira a moderada. Os dados disponíveis parecem ser consistentes quanto à sua boa tolerabilidade, mas também quanto ao risco de interações com outros fármacos. As limitações da recomendação prendem-se essencialmente com o facto dos mecanismos de ação não estarem completamente esclarecidos.</p> 2021-11-08T00:00:00+00:00 Direitos de Autor (c) 2021 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13086 Problemas de coagulação em adultos com síndroma respiratório agudo grave devido a infeção por coronavírus 2 (SARS-CoV-2): uma revisão abrangente 2021-06-05T19:39:47+00:00 Susana Pereira Costa susanamcosta@sapo.pt Inês Lopes Antunes ines.l.antunes@arslvt.min-saude.pt Ana Margarida Gomes ana.margarida.gomes@arslvt.min-saude.pt Cláudia Ho claudia.ho@arslvt.min-saude.pt Mafalda Lemos Caldas mafalda.caldas@arslvt.min-saude.pt Ana Rute Marques ana.f.marques@arslvt.min-saude.pt Ana Monteiro Pereira ana.claudia.pereira@arslvt.min-saude.pt Ana Teresa Peres ana.peres@arslvt.min-saude.pt Gema Ponce Revilla gema.revilla@arslvt.min-saude.pt Inês Vidreiro ines.vidreiro@arslvt.min-saude.pt <p><strong>Objetivos: </strong>Resumir as informações publicadas acerca dos problemas de coagulação em adultos com SARS-CoV-2, incluindo características, fisiopatologia, diagnóstico e resposta ao uso profilático ou terapêutico de anticoagulantes ou antiagregantes plaquetários.</p> <p><strong>Métodos: </strong>Realizada uma revisão abrangente, de acordo com as <em>guidelines</em> <em>Joanna Briggs Institute Guidelines on Scoping Reviews</em> e <em>Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses Scoping Review guidelines (PRISMA-ScR)</em>. Efetuada pesquisa nas bases de dados MEDLINE<sup>®</sup>, SciELO<sup>®</sup> e Web of Science<sup>®</sup> entre 1 e 2 de maio de 2020. A seleção dos artigos foi dividida em etapas sequenciais considerando: título, resumo e artigo integral. Em cada etapa os artigos foram aceites ou rejeitados tendo em conta os critérios de inclusão e exclusão. Foi feito o mapeamento dos dados e a evidência relevante foi sumarizada. </p> <p><strong>Resultados: </strong>Após seleção obtiveram-se 106 artigos. Destes, 36 correspondiam a cartas, 28 a estudos originais, 25 a revisões e 14 a relatos de caso; uma meta-análise, um comentário e um consenso também foram incluídos. Os resultados mostraram associação entre COVID-19 e complicações trombóticas, embora com diferentes tipos de eventos e taxas de frequência. A tríade inflamação, disfunção endotelial e coagulopatia parecem estar subjacentes às alterações fisiopatológicas. As técnicas laboratoriais e de imagem podem ser úteis para uma intervenção adequada. A profilaxia com anticoagulantes parentéricos, preferencialmente heparina de baixo peso molecular (HBPM) em dose intermédia, entre as comummente utilizadas para profilaxia ou tratamento, está indicada em pacientes hospitalizados, especialmente com doença grave. Deve ser mantida por um período variável após a alta, dependendo do doente. A anticoagulação terapêutica parece não diferir de outras situações previamente conhecidas.</p> <p><strong>Conclusões: </strong>Várias incertezas persistem na abordagem dos problemas da coagulação em pacientes com infeção por SARS-CoV-2. As informações existentes dizem respeito principalmente ao contexto hospitalar e têm origem em fontes pouco robustas. Assim, são necessários ensaios clínicos aleatorizados e controlados para sustentar as decisões clínicas em todos os estadios.</p> 2021-11-08T00:00:00+00:00 Direitos de Autor (c) 2021 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/12960 Tratamento do herpes zoster e prevenção da nevralgia pós-herpética 2021-07-30T21:43:53+00:00 Joana Gonçalves Luís joanagluis8@gmail.com Bárbara Adelina Costa Martins bacmartins@arsnorte.min-saude.pt <p><strong>Objetivos: </strong>A nevralgia pós-herpética (NPH) é a principal complicação do herpes <em>zoster</em> (HZ), tendo um impacto significativo na qualidade de vida dos doentes e nos custos em saúde. Com esta revisão pretende-se avaliar a eficácia de diferentes terapêuticas utilizadas no tratamento agudo da zona na prevenção desta complicação.</p> <p><strong>Fontes de dados</strong>: MEDLINE/PubMed, <em>National Guide Clearinghouse</em>,<em> Canadian Medical Association Practice Guidelines</em>,<em> Bandolier</em>,<em> Evidence-Based Medicine Online</em>, DARE, TRIP<em> Database </em>e<em> The Cochrane Library.</em></p> <p><strong>Métodos de revisão</strong>: Pesquisa de <em>guidelines,</em> meta-análises, revisões sistemáticas e ensaios clínicos controlados e aleatorizados publicados entre abril de 2010 e março de 2020, redigidos em inglês, português ou espanhol, utilizando os termos MeSH <em>herpes zoster</em> e <em>neuralgia, postherpetic</em>.</p> <p><strong>Resultados: </strong>Dos 333 resultados obtidos na pesquisa inicial foram selecionados sete artigos para inclusão nesta revisão, nomeadamente duas meta-análises, uma revisão sistemática e quatro ensaios clínicos controlados e aleatorizados. A evidência encontrada relativamente à utilização de antivíricos, glucocorticoides ou gabapentinoides no tratamento do HZ não demonstrou benefício na prevenção da NPH. Apenas as opções por amitriptilina ou vitamina C endovenosa revelaram resultados positivos, ainda que com evidência escassa e limitada.</p> <p><strong>Conclusão: </strong>Esta revisão permite concluir que nenhum dos tratamentos habitualmente utilizados no tratamento agudo do HZ previne a ocorrência de NPH. Apesar dos resultados positivos da amitriptilina e da vitamina C não existe ainda evidência suficientemente robusta que permita recomendar o uso disseminado destes fármacos na fase aguda do HZ com o intuito de prevenir esta complicação. Mais estudos são necessários neste sentido, tendo em conta a morbilidade e custos em saúde associados à NPH.</p> 2021-11-08T00:00:00+00:00 Direitos de Autor (c) 2021 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13069 Um exemplo de neuropatia periférica que pode ser gerida pelo médico de família: neuropraxia do nervo peroneal 2021-07-29T19:19:15+00:00 Patricia Alexandra Cebola pcebola@campus.ul.pt Marta Filipa Rainho marta.rainho@arslvt.min-saude.pt António Alexandre Teixeira aaamt_ptg@hotmail.com <p><strong>Introdução: </strong>A neuropraxia é uma forma de neuropatia periférica que o médico de família (MF) pode gerir por ter excelente prognóstico e reversibilidade total.</p> <p><strong>Descrição do Caso: </strong>Homem de 46 anos realizou colecistectomia por litíase biliar, em fevereiro de 2019, e por isso perdeu 10kg. No dia 18 de novembro de 2019 recorreu à consulta da MF por incapacidade de dorsiflexão do pé esquerdo, acompanhada de hipoestesia e diminuição da força muscular do membro inferior esquerdo desde o dia 11 de setembro de 2019, após estar sentado com a perna direita cruzada sobre a esquerda, durante cerca de três horas. Foi pedido eletromiograma, que demonstrou neuropraxia do nervo ciático popliteu externo esquerdo. Seis meses após a lesão inicial todos os sintomas desapareceram espontaneamente.</p> <p><strong>Comentário: </strong>As manifestações clínicas da neuropraxia são bastante exuberantes e incapacitantes, o que pode levar o doente a pensar que tem uma doença grave. Saber abordar e explicar ao doente o que é esta lesão e o seu prognóstico é fundamental para evitar sobrediagnóstico e sobretratamento.</p> 2021-11-08T00:00:00+00:00 Direitos de Autor (c) 2021 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13084 Febre de origem indeterminada: relato de um diagnóstico inesperado 2021-06-19T18:50:22+00:00 Cristiana Santos Antunes cristianantunes.1@gmail.com Mariana Costa Figueiredo mariana.costa.figueiredo@gmail.com Filipe Fernandes Bacalhau filipebac75@hotmail.com Francisco Ferreira Silva ferreiraesilva91@gmail.com Maria Esmeralda Covas Amador esmeraldaamador@hotmail.com Luís Miguel Duque luismiguelduque@gmail.com <p><strong>Introdução:</strong> A síndroma de febre de origem indeterminada (FOI) clássica é definida pela presença de temperatura corporal superior a 38,3 °C com duração superior a três semanas, sem diagnóstico definido, apesar de investigação apropriada durante três consultas em ambulatório ou três dias em internamento hospitalar. Implica a realização de uma avaliação criteriosa pelo médico de família, da qual deve resultar uma marcha diagnóstica adequada. Entre as múltiplas etiologias possíveis, a infeção pelo vírus de imunodeficiência humana (VIH) é uma entidade a ter em conta, nomeadamente na presença de fatores de risco para a mesma.</p> <p><strong>Descrição do Caso:</strong> Mulher de 47 anos, raça caucasiana, com antecedentes pessoais de neoplasia do colo do útero submetida a conização há quatro anos. É fumadora, sem hábitos alcoólicos ou toxicofílicos conhecidos. Divorciada, integra uma família monoparental desde 2005, sem vida sexual ativa há cerca de oito anos. Recorre a consulta de doença aguda por quadro de mal-estar geral, cansaço, febre de predomínio vespertino e tosse seca com várias semanas de evolução. Após as primeiras etapas de investigação, a etiologia mantinha-se indeterminada, apesar da recorrência dos sintomas. Perante o quadro clínico de síndroma de FOI foi realizada investigação etiológica mais alargada, da qual se destaca serologia positiva para VIH-1. A utente foi referenciada para consulta de infeciologia e medicada com antirretrovirais e terapêutica dirigida a pneumocistose, uma doença definidora de síndroma de imunodeficiência adquirida (SIDA). Este diagnóstico teve um impacto profundo a nível pessoal, familiar e social, com necessidade de seguimento em consulta de psicologia e psiquiatria.</p> <p><strong>Comentário:</strong> A investigação etiológica da síndroma de FOI neste caso clínico conduziu a um diagnóstico inesperado de SIDA, o que sensibilizou a equipa clínica para a importância do rastreio atempado de VIH, para a correta abordagem da síndroma de FOI e para a importância do acompanhamento longitudinal pelo médico de família, de acordo com o diagnóstico estabelecido.</p> 2021-11-08T00:00:00+00:00 Direitos de Autor (c) 2021 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13066 Abordagem do pé pendente nos cuidados de saúde primários: relato de caso 2021-07-29T19:04:57+00:00 Mariana Martinho marianafmartinho17@gmail.com Ina Garuta inagaruta@campus.ul.pt Isabel Marques ivmarquespt@gmail.com Sérgio Cardoso sergio.cardoso@arslvt.min-saude.pt Teresa Libório liboriot@gmail.com Joana Costa joana.costa@arslvt.min-saude.pt <p><strong>Introdução: </strong>O pé pendente define-se pela incapacidade em elevar o pé por diminuição da força dos músculos dorsiflexores. Para elaborar um plano de tratamento é necessário determinar a sua etiologia. Cabe, assim, ao médico de família reconhecer as situações em que a gestão desta entidade poderá ser feita exclusivamente em cuidados de saúde primários, diferenciando-as das que poderão exigir avaliação e orientação em meio hospitalar.</p> <p><strong>Descrição do Caso: </strong>Homem de 71 anos com hipertensão arterial e dislipidemia, medicado com indapamida. Em consulta com o médico de família referia que, há dois dias, havia permanecido sentado por duas horas com a perna direita cruzada sobre o membro inferior contralateral. Ao levantar-se notou dormência do pé direito, o qual não conseguia elevar. À observação apresentava marcha em <em>steppage,</em> com pé direito pendente e diminuição da sensibilidade do dorso do mesmo. Foi pedida eletromiografia, que documentou acentuada lesão axonal do nervo peroneal comum direito abaixo do colo do perónio, compatível com compressão prolongada. Foi submetido a sessões de fisioterapia, demonstrando resolução completa do quadro após três meses.</p> <p><strong>Comentário: </strong>A neuropatia do nervo peroneal comum é a causa principal de pé pendente e a terceira neuropatia focal mais frequente, depois do nervo mediano e nervo cubital. A etiologia mais frequente é a compressiva. O local mais afetado é onde o nervo contorna o colo do perónio, manifestando-se por marcha em<em> steppage</em>, consequente à diminuição da força dos músculos dorsiflexores do pé. Embora o diagnóstico seja habitualmente clínico, a maioria dos pacientes requer eletromiografia. O tratamento inicial costuma ser conservador, sendo comum ocorrer resolução das queixas em três meses. Esta é uma condição que poderá ser pouco frequente na prática clínica em medicina geral e familiar, mas cuja abordagem poderá, muitas vezes, ser feita em cuidados de saúde primários. É importante saber tranquilizar os pacientes quanto à semiologia, abordagem terapêutica e prognóstico.</p> 2021-11-08T00:00:00+00:00 Direitos de Autor (c) 2021 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13232 Idosos autónomos: uma reflexão ética 2021-06-24T21:22:38+00:00 Rita Gaspar Marques ritamarques10@hotmail.com Pedro Augusto Simões cortaz_pa@hotmail.com Bárbara Santa Rosa santa.rosa.b@gmail.com Margarida Silvestre msilvestre@fmed.uc.pt <p>O aumento atual da população idosa obriga a uma adequação constante dos cuidados de saúde e da atuação médica. As particularidades desta população levantam várias questões éticas que têm de ser discutidas num âmbito alargado, para melhorar a prestação de cuidados e facilitar a atuação médica aquando do surgimento de dilemas éticos. Neste contexto, uma das questões éticas mais frequentes prende-se com o respeito pela autonomia dos idosos, já que muitas vezes se associa a idade avançada à perda de capacidades físicas e psíquicas e, portanto, de autonomia. Porém, a idade, por si só, não determina a incapacidade de tomar decisões nem a vulnerabilidade. Ou seja, embora o contexto e as circunstâncias que rodeiam os idosos possam influenciar negativamente ou mesmo limitar a sua autonomia, o médico não pode assumir uma atitude paternalista e decidir pelo doente. O médico deve fazer um esforço especial para analisar e compreender a capacidade de decisão do doente e todo o contexto que o envolve, nomeadamente as suas vulnerabilidades, experiência de doença, perspetivas de vida e influência da família. Assim, o médico poderá utilizar este conhecimento para promover a capacidade de decisão do idoso, de modo a garantir autonomia, equidade e justiça para estes doentes. Além disso, promover a autonomia potencia também a participação ativa na comunidade, envelhecimento ativo e qualidade de vida. O médico de família tem um papel privilegiado e preponderante nesta tarefa. A sua proximidade, a possibilidade de contactos frequentes e prolongados no tempo e o conhecimento que tem das suas vidas, perspetivas e valores permitem a estes profissionais fomentar e promover a autonomia dos idosos.</p> 2021-11-08T00:00:00+00:00 Direitos de Autor (c) 2021 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/12985 Auditoria a prescrições antimicrobianas na pneumonia adquirida na comunidade em cuidados de saúde primários: experiência do ACeS Amadora 2021-06-23T11:17:26+00:00 Margarida Paixão maria.m.paixao@arslvt.min-saude.pt Andreia Leite andreia.leite@ensp.unl.pt Etelvina Calé etelvina.cale@arslvt.min-saude.pt <p><strong>Introdução</strong>: A prescrição médica inapropriada é uma das principais causas associadas à emergência de resistência a antimicrobianos. Assim, as auditorias à prática clínica enquanto ferramentas para a melhoria da qualidade numa instituição são essenciais em programas locais de prevenção e controlo de resistências a antimicrobianos. O presente artigo detalha a metodologia de auditoria utilizada com o objetivo de melhoria da prescrição médica em cuidados de saúde primários no âmbito da pneumonia adquirida na comunidade.</p> <p><strong>Métodos</strong>: No Agrupamento de Centros de Saúde da Amadora, durante o ano de 2019, realizou-se uma auditoria a prescrições antimicrobianas, de acordo com duas normas de orientação clínica da Direção-Geral da Saúde referentes a pneumonia adquirida na comunidade. Todas as prescrições realizadas durante o ano de 2018 enquadráveis nas normas selecionadas foram verificadas. Os componentes da prescrição antimicrobiana selecionados para esta auditoria foram: o antimicrobiano prescrito, a duração da terapêutica e a existência de justificação da escolha terapêutica no <em>software</em> de apoio ao clínico, caso esta diferisse das normas.</p> <p><strong>Resultados</strong>: Num total de 292 processos verificados, 42,0% estavam em conformidade com as orientações presentes nas normas. A percentagem de conformidade entre as diferentes unidades de saúde familiar e cuidados de saúde personalizados variou entre 0,0 e 63,4%. </p> <p><strong>Conclusão</strong>: A presente auditoria permitiu construir uma metodologia a aplicar em auditorias internas ao ACeS. Permitiu igualmente reajustar as necessidades formativas dentro do ACeS. Até ao momento ainda não foi avaliada a efetividade da mesma.</p> 2021-11-08T00:00:00+00:00 Direitos de Autor (c) 2021 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13087 Articulação entre os cuidados de saúde primários e secundários: grau de satisfação dos médicos especialistas e internos de medicina geral e familiar 2021-06-29T09:42:53+00:00 Joana Sousa joanamrsousa.20@gmail.com Mariana Barreto marianabarreto17@gmail.com Lara Cabral lara.cabral@gmail.com Francisca Mendes fmpa91@gmail.com Anabela Balazeiro anabela.balazeiro@gmail.com <p><strong>Introdução</strong>: O médico de família é frequentemente o primeiro contacto com o sistema de saúde, devendo avaliar a necessidade de referenciação para os cuidados de saúde secundários (CSS). O objetivo deste trabalho foi avaliar a satisfação dos médicos de medicina geral e familiar relativamente à articulação com os CSS.</p> <p><strong>Material e Métodos</strong>: Estudo multicêntrico, longitudinal. Participantes: médicos de MGF. Dados recolhidos através do preenchimento de questionário. As variáveis foram avaliadas numa escala de 1 a 5, por ordem crescente de satisfação e incluíram: idade, sexo, categoria profissional, área e local de trabalho, acesso e qualidade dos registos das consultas hospitalares, do serviço de urgência e carta de alta, acesso aos exames complementares dos CSS, tempos de resposta e informação de recusa de referenciações, satisfação global.</p> <p><strong>Resultados</strong>: Foram obtidas 228 respostas. A pontuação média das respostas variou entre 2,2 e 3,6. A satisfação da articulação na sua globalidade obteve uma média de 2,6±0,74, com 50% dos profissionais a responder «razoável», existindo diferença estatisticamente significativa consoante a área de trabalho.</p> <p><strong>Discussão</strong>: Os resultados obtidos revelam que ainda existe um longo caminho a percorrer relativamente à articulação entre os CSP e CSS.</p> <p><strong>Conclusão</strong>: É crucial existir uma articulação eficiente entre os CSP e CSS para garantir que os utentes têm acesso aos cuidados de que necessitam, no lugar e tempo mais adequados. O facto de se ter utilizado um questionário não validado, de a amostra ser de pequena dimensão e não existir uma representação equitativa das diferentes áreas limita a robustez das conclusões.</p> 2021-11-08T00:00:00+00:00 Direitos de Autor (c) 2021 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13135 Efeitos de uma pandemia numa unidade de cuidados de saúde primários e sua população: um estudo retrospetivo 2021-07-01T17:40:07+00:00 Pedro Alexandre Vieira pedroafvieira@gmail.com Paulo Jorge Barros paulo__barros@hotmail.com Tânia Caseiro taniafpcaseiro@gmail.com Natalina Rodrigues natalinarodrigues89@gmail.com João Arcanjo arrastao3@gmail.com <p><strong>Objetivos: </strong>A COVID-19 é a primeira pandemia severa do mundo moderno, tendo já colapsado diversos sistemas de saúde, obrigando-os a adaptar-se. Este artigo pretende analisar a atividade médica numa unidade de cuidados primários durante o primeiro pico da pandemia, de modo a avaliar os impactos desta no acompanhamento clínico da população.</p> <p><strong>Métodos: </strong>Estudo retrospetivo que analisou os dados de todas as consultas efetuadas numa unidade de cuidados primários entre 1 de março e 31 de julho de 2020 e em período homólogo de 2019 e 2018.</p> <p><strong>Resultados: </strong>Em 2020 registou-se um aumento de consultas quando comparado com igual período de 2019 e 2018 (14.871, 14.326 e 12.996, respetivamente), sendo a maioria não presencial, ao contrário de anos anteriores (71,6% em 2020, 42,6% em 2019 e 35,2% em 2018). Verificou-se também uma diminuição da maioria das consultas de vigilância e de rotina (2.562 em 2020, 3.067 em 2019 e 2.975 em 2018) e um aumento das consultas por patologia psiquiátrica, destacando-se a ansiedade (362 em 2020, 252 em 2019 e 238 em 2018). </p> <p><strong>Conclusões: </strong>Apesar da pandemia, o número total de consultas aumentou em 2020, embora à custa de consultas não presenciais e com uma diferente prevalência de diagnósticos. Ocorreram menos consultas de vigilância e aumentaram as consultas por patologia psiquiátrica, possivelmente decorrentes do impacto socioeconómico da pandemia. Trata-se da primeira casuística da atividade médica de cuidados primários registada durante a primeira vaga da pandemia em Portugal.</p> 2021-11-08T00:00:00+00:00 Direitos de Autor (c) 2021 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13359 Confusão das confusões: precisa-se que a argumentação seja lógica 2021-10-11T11:35:48+00:00 Isabel Santos misabelpsantos@gmail.com <p>Recentemente o Sr. Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, numa entrevista a um órgão de comunicação, fez declarações que conduziram a múltiplas interrogações e declarações institucionais condenatórias.</p> <p>Essa entrevista, para além de revelar ignorância sobre a Medicina Geral e Familiar, sobre o que se faz nesta especialidade, revela erros comuns de raciocínio e lógica discursiva. Se as premissas ou os axiomas são falsos, nem a argumentação nem as conclusões são válidas.</p> 2021-11-08T00:00:00+00:00 Direitos de Autor (c) 2021 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar