Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf <p>A Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar é um órgão oficial da Associação Portuguesa de Medicina Geral Familiar. Visa contribuir para o desenvolvimento da especialidade de Medicina Geral e Familiar e dos Cuidados de Saúde Primários, através de uma publicação científica isenta, rigorosa e atual.</p> <p>É publicada desde 1984 com uma periodicidade bimestral.</p> Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar pt-PT Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar 2182-5173 <p>Os autores concedem à RPMGF o direito exclusivo de publicar e distribuir em suporte físico, electrónico, por meio de radiodifusão ou em outros suportes que venham a existir o conteúdo do manuscrito identificado nesta declaração. Concedem ainda à RPMGF o direito a utilizar e explorar o presente manuscrito, nomeadamente para ceder, vender ou licenciar o seu conteúdo. 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Contudo, apenas uma minoria recebe aconselhamento médico nesse âmbito. A presente revisão narrativa tem como objetivo descrever os principais problemas sexuais das mulheres com esta tipologia de neoplasias, bem como identificar estratégias de abordagem e tratamento dos mesmos.</p><p class="Default"><strong>Métodos:</strong> Foi efetuada uma pesquisa da literatura na base de dados PubMed, utilizando os termos MeSH: <em>Sexuality</em>, <em>Neoplasms</em>, <em>Female</em> e <em>Women</em>. Foram utilizados livros e artigos datados entre 1998 e 2020.</p><p class="Default"><strong>Resultados</strong>: O cancro da mama afeta a vida sexual desde o diagnóstico, associando-se a intenso sofrimento psicológico. A este acresce o impacto do tratamento. A cirurgia altera a autoimagem, sensibilidade mamária e mobilidade. A radioterapia condiciona alterações tecidulares. A quimioterapia apresenta efeitos psicológicos e físicos com impacto direto e indireto na sexualidade. A terapêutica hormonal condiciona atrofia urogenital e sintomas vasomotores. Por outro lado, também a maioria das mulheres com cancro ginecológico apresenta vários níveis de disfunção sexual secundários à terapêutica. Tratamentos mais recentes como a braquiterapia, técnicas de <em>nerve-sparing </em>modificadas e cirurgia reconstrutiva têm contribuído para uma diminuição da morbilidade associada ao tratamento. Verifica-se uma consciencialização crescente da importância da saúde sexual dos doentes oncológicos. Neste contexto, cabe ao médico abordar o assunto, informando as doentes acerca do possível impacto da doença e do respetivo tratamento na sexualidade. Existem questionários validados e modelos estruturados facilitadores de comunicação neste sentido. Cabe também aos clínicos o controlo dos sintomas de disfunção sexual associados à terapêutica oncológica, privilegiando sempre que possivel fármacos com impacto neutro ou positivo na sexualidade. </p><p><strong>Conclusão:</strong> Qualquer médico deve estar sensibilizado para a disfunção sexual associada à patologia oncológica e ao seu tratamento, sendo capaz de a rastrear e adaptar o plano terapêutico em conformidade, colocando em prática o <em>cancer care continuum.</em></p> Maria Beatriz Morgado Direitos de Autor (c) 2021 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2021-09-14 2021-09-14 37 4 314 28 10.32385/rpmgf.v37i4.12888 Adesão terapêutica em hipertensos: revisão do papel das novas plataformas através do telemóvel ou smartphone https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/12951 <p><strong>Introdução</strong>: A pandemia COVID-19 veio comprometer o acompanhamento periódico dos doentes hipertensos em diversos aspetos. Este cenário fez com que se privilegiassem estratégias de telessaúde, como as plataformas <em>mHealth</em>, que constituem vias alternativas de promoção da autogestão destes doentes. Porém, não existe informação significativa que comprove o seu nível de efetividade. O objetivo deste estudo foi realizar uma revisão sistemática baseada na evidência sobre o papel de plataformas através do telemóvel ou <em>smartphone</em> na adesão de indivíduos com hipertensão ao plano terapêutico proposto.</p><p><strong>Métodos</strong>: Os artigos desta revisão foram obtidos através da pesquisa bibliográfica em diferentes plataformas científicas, aplicando-se os termos MeSH <em>mobile</em>, <em>phone</em>, <em>hypertension</em> e <em>adherence</em>. Foram incluídos estudos segundo os critérios definidos pelo modelo PICOS: (P) indivíduos adultos com diagnóstico de hipertensão arterial, a realizar pelo menos um fármaco anti-hipertensor; (I) plano terapêutico reforçado com recurso ao telemóvel, telefone fixo ou <em>smartphone</em>; (C) <em>standard care</em>; (O) alterações na adesão terapêutica; (S) revisões sistemáticas e ensaios clínicos aleatorizados controlados. Foi utilizada a escala <em>Strength of Recommendation Taxonomy</em>, da American Academy of Family Physicians, para avaliação dos níveis de evidência e atribuição de forças de recomendação.</p><p><strong>Resultados</strong>: Dos 729 artigos iniciais foram apenas incluídos sete estudos para a realização desta revisão: uma revisão sistemática e seis ensaios clínicos aleatorizados controlados. Apesar dos estudos relatarem resultados algo heterogéneos e inconsistentes, na generalidade apresentam resultados estatisticamente significativos no sentido do aumento de adesão terapêutica. No entanto, o risco de viés foi relativamente alto.</p><p><strong>Conclusões</strong>: A evidência atual é de qualidade moderada, algo inconsistente e de difícil generalização, apesar de favorável à efetividade destas plataformas na adesão terapêutica em doentes hipertensos (força de recomendação B). Existe necessidade de maior uniformização e adaptabilidade nos métodos de avaliação da adesão à terapêutica para aumentar a comparabilidade entre estudos e analisar a evolução e tendências numa determinada população.</p> Rodrigo Miguel Loureiro Daniela Alves de Azevedo Direitos de Autor (c) 2021 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2021-09-14 2021-09-14 37 4 330 41 10.32385/rpmgf.v37i4.12951 Estado nutricional infantil no concelho de Portalegre https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/12891 <p><strong>Objetivos:</strong> Determinar a prevalência de baixo peso, peso normal, excesso de peso e obesidade na população em idade escolar numa Unidade de Saúde Familiar (USF) do concelho de Portalegre e determinar se existe diferença estatisticamente significativa entre o género e o peso e entre a idade e o peso.<strong></strong></p><p><strong>Tipo de estudo:</strong> Estudo observacional transversal, descritivo e analítico.<strong></strong></p><p><strong>Local:</strong> USF Portus Alacer, concelho de Portalegre.</p><p><strong>População:</strong> Utentes da USF Portus Alacer [6-17 anos].<strong></strong></p><p><strong>Métodos: </strong>Determinação do índice de massa corporal (IMC) de 448 crianças e adolescentes [6-17 anos] vigiadas na USF Portus Alacer, entre janeiro de 2017 e outubro de 2018 [intervalo de confiança (IC) 95%, margem de erro 3,64%]. Os participantes foram classificados em quatro categorias de acordo com os pontos de corte de IMC estabelecidos pela OMS para a idade e género. O <em>software</em> usado no tratamento de dados foi o SPSS<sup>®</sup> v. 25.0, o <em>Microsoft Office Excel</em><sup>®</sup> e o <em>Sample Size Calculator by Raosoft</em><sup>®</sup>. As ferramentas estatísticas utilizadas foram o teste de Qui-quadrado e o teste do <em>t</em>-<em>Student</em>. A normalidade foi testada através do teste <em>Kolmogorov-Smirnov</em>.</p><p><strong>Resultados: </strong>Das crianças avaliadas 52,7% eram do sexo masculino. A mediana etária foi de 12 anos. Verificou-se uma prevalência de peso excessivo de 37,4%. A prevalência do excesso de peso foi de 16,7%, superior no sexo feminino, e a da obesidade foi de 10,7%, ligeiramente superior no sexo masculino. A maior prevalência de peso excessivo verificou-se aos sete anos. Não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas entre o género e a categoria de peso, nem entre as idades relativamente ao peso excessivo.</p><p><strong>Conclusões: </strong>Apesar da diminuição da prevalência da obesidade infantil e excesso de peso verificada em Portugal nos últimos anos, estas entidades representam um grave problema de saúde pública. No concelho de Portalegre, a prevalência do peso excessivo nos menores de 10 anos foi superior aos dados disponíveis na literatura. Dos 10 aos 17 anos a prevalência foi inferior.</p> Adriana Gameiro Victória Garrett Direitos de Autor (c) 2021 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2021-06-28 2021-06-28 37 4 294 300 10.32385/rpmgf.v37i4.12891 Medicação potencialmente inapropriada em idosos acompanhados em cuidados domiciliários nos últimos 12 meses de vida https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13037 <p><strong>Introdução: </strong>A medicação potencialmente inapropriada (MPI) é cada vez mais alvo de estudo e atenção, pelas consequências negativas que pode ter num doente vulnerável.</p><p><strong>Objetivo: </strong>Determinar a prevalência da MPI e das interações medicamentosas em idosos acompanhados por equipas domiciliárias nos últimos doze meses de vida.</p><p><strong>Material e Métodos: </strong>Estudo quantitativo, descritivo, retrospetivo e observacional. Identificação da MPI, usando os critérios <em>STOPPFrail</em>, nos idosos com ≥ 65 anos acompanhados pelas equipas comunitárias de suporte em cuidados paliativos nos Açores, que faleceram entre janeiro de 2016 e dezembro de 2018.</p><p><strong>Resultados: </strong>Foram incluídos 137 doentes, sendo 72 homens (52,55%), com uma mediana de 78 anos (amplitude interquartil 73-84). A prevalência de MPI foi de 90,51% (<em>n</em>=124), existindo sobretudo prescrição de medicação sem evidência clínica clara (51,09%, <em>n</em>=70) e de inibidores da bomba de protões (45,99%, <em>n</em>=63). Foram contabilizadas 1.107 interações medicamentosas em 120 doentes (87,59%). A MPI esteve envolvida nas interações de 98 doentes (71,53%) e em 473 das interações medicamentosas clinicamente significativas (46,78%).</p><p><strong>Conclusão: </strong>A prevalência de MPI é elevada em idosos nos últimos doze meses de vida. O uso dos critérios <em>STOPPFrail</em> pode ajudar a identificar a MPI e a delinear um plano para a sua redução, de preferência num contexto de trabalho interdisciplinar. </p> Marlene Areias Paulo Reis-Pina Direitos de Autor (c) 2021 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2021-09-14 2021-09-14 37 4 302 12 10.32385/rpmgf.v37i4.13037 Epidemiologia descritiva dos casos COVID-19 em profissionais de saúde, Portugal, 2020 https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/12979 <p>Os profissionais da saúde têm um maior risco de infeção por COVID-19 devido à sua exposição profissional. Até à data existem dados e provas limitadas sobre infeções por COVID-19 entre os profissionais da saúde em Portugal. Descrevemos as características dos profissionais da saúde notificados como casos confirmados de COVID-19 durante os primeiros meses da vigilância nacional em Portugal (janeiro-maio de 2020). Concluímos com recomendações para melhorar a vigilância da COVID-19 entre os profissionais de saúde.</p> Héloïse Lucaccioni Cristina Costa Mariana Perez Duque Rita Sá Machado Direitos de Autor (c) 2021 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2021-09-14 2021-09-14 37 4 366 72 10.32385/rpmgf.v37i4.12979 Diabéticos fumadores: uma população de elevado risco que muito beneficia em deixar de fumar https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13106 <p>A relação entre a diabetes e o tabagismo é há muito conhecida. Estima-se que um em cada cinco diabético seja fumador, acrescentando ao risco cardiovascular base da sua doença também este por definição evitável. Por outro lado, os fumadores têm também maior risco de vir a apresentar diabetes.</p> <p>É fundamental levar as pessoas com diabetes a não fumar ou se o fizerem a abandonar o hábito. Este grupo deve ser prioritário nos programas de cessação tabágica.</p> Luis Rebelo Direitos de Autor (c) 2021 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2021-09-14 2021-09-14 37 4 373 6 10.32385/rpmgf.v37i4.13106 Internato de medicina geral e familiar em época pandémica: o que (com)promete? https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13143 <p>O plano de formação em medicina geral e familiar corresponde a um processo bem definido de formação médica contínua que, a partir de março de 2020, se viu balançado na sua estrutura, em detrimento da mobilização dos médicos internos para áreas de atuação não planeadas, mas de extrema importância no combate à pandemia por COVID-19. Neste contexto houve um desvio do percurso formativo que, embora sentido de forma desigual pelos diferentes anos do internato médico, se revelou transversal, existindo uma potencial quebra do fio condutor da aprendizagem da medicina geral e familiar. Não obstante, a pandemia veio constituir uma força motriz para o médico interno desenvolver novas competências e em áreas até então por explorar, das quais se destacam a aquisição de noções de trabalho em equipa e competências comunicacionais, bem como o aperfeiçoamento das técnicas de consulta telefónica. Também o binómio interno-orientador se tornou mais coeso, pela aprendizagem conjunta em tempo real, e registou-se um enfoque da atividade clínica em detrimento das tarefas curriculares. Sugerem-se estudos que se continuem a debruçar sobre o grau de motivação dos médicos internos de medicina geral e familiar e sobre a forma como as suas novas competências poderão constituir elementos de valorização individual. </p> Ana Margarida Dias Marques Ana Lúcia Silva Pereira Direitos de Autor (c) 2021 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2021-09-14 2021-09-14 37 4 377 82 10.32385/rpmgf.v37i4.13143 Recidiva tardia de carcinoma do endométrio: relato de caso https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/12912 <p><strong>Introdução:</strong> O carcinoma do endométrio é a neoplasia maligna ginecológica mais comum na mulher. A recorrência local ou à distância é um dos principais problemas que ocorre após o tratamento. Com este caso pretende-se alertar para a eventual recidiva tardia após tratamento do carcinoma do endométrio, evidenciando o papel do médico de família (MF) no seguimento dos doentes ao longo do tempo.</p><p><strong>Descrição do caso:</strong> Mulher, 74 anos, com história de neoplasia do endométrio submetida a cirurgia e radioterapia em 2010, recorreu à consulta do MF por ter apresentado um mês antes início súbito de disartria, alteração da coordenação motora e posterior instalação de hemiparesia direita. Foi admitido um acidente vascular cerebral isquémico em fase não aguda, tendo sido solicitados meios complementares de diagnóstico. Quando voltou à consulta para mostrar os exames, as hipóteses diagnósticas colocadas foram metástase cerebral <em>vs </em>glioblastoma, tendo sido encaminhada para o serviço de urgência dado o concomitante agravamento do estado neurológico. Foi avaliada pela neurocirurgia e submetida a intervenção cirúrgica, tendo ficado completamente assintomática e o resultado histológico revelou metástase de adenocarcinoma bem diferenciado de provável origem ginecológica.</p><p><strong>Comentário:</strong> O desenvolvimento de metástases no sistema nervoso central a partir de cancros ginecológicos primários é um evento raro, sendo mais frequente nos primeiros três anos após o tratamento. Contrariando os dados existentes na literatura atual, este caso demonstra o diagnóstico de doença metastática nove anos após o tratamento do carcinoma do endométrio, reforçando o papel fundamental do MF no acompanhamento dos utentes, uma vez que, conhecendo-os, está sensibilizado para identificar fatores de risco, bem como para detetar manifestações clínicas e sinais de alarme de várias patologias.</p> Adriana Maria Madeira e Silva Vasco André Gonçalves Varela Direitos de Autor (c) 2021 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2021-09-14 2021-09-14 37 4 345 50 10.32385/rpmgf.v37i4.12912 Síndroma de roubo da subclávia: um caso clínico de aparente hipotensão https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13014 <p><strong>Introdução</strong>: A estenose da artéria subclávia proximal, condicionando a síndroma de roubo da subclávia, é frequentemente secundária a doença arterial aterosclerótica. Pode ser totalmente assintomática ou cursar com sintomas de isquemia do membro superior ipsilateral ou sintomas de isquemia transitória da circulação cerebral posterior. Apesar de o diagnóstico definitivo ser imagiológico, as alterações ao exame objetivo são fortemente sugestivas, nomeadamente um diferencial de pressão arterial entre os dois membros superiores.</p><p><strong>Descrição do caso</strong>: Mulher de 69 anos, com HTA, DM tipo 2, dislipidemia e obesidade, recorreu à consulta por tonturas, cefaleias e descida dos valores tensionais, com dois meses de evolução, tendo decidido suspender a medicação anti-hipertensora. Referia episódio prévio de cefaleia, disartria súbita e sensação de “língua presa”, que motivou ida ao serviço de urgência. Neste, quando observada, já não apresentava qualquer alteração objetiva. No exame físico, na consulta do MF, destacava-se uma PA 108/75mmHg, avaliada no membro superior esquerdo. Devido aos vários fatores de risco ateroscleróticos e ao episódio prévio sugestivo de AIT foram pedidos exames complementares de diagnóstico, incluindo <em>ecodoppler</em> dos vasos cervicais, que demonstrou um fluxo retrógrado da artéria vertebral esquerda, sugestivo de estenose da artéria subclávia esquerda proximal. Na sequência, um EO minucioso revelou um diferencial de PA, entre os dois membros superiores (108/79mmHg à esquerda e 170/81 à direita). Foi recomendado retomar a medicação anti-hipertensora, reforçado o controlo dos múltiplos fatores de risco ateroscleróticos e referenciada a cirurgia vascular.</p><p><strong>Comentário</strong>: Neste caso, os valores tensionais eram aparentemente diminuídos; contudo, após a avaliação da pressão arterial em ambos os membros superiores, constatou-se que a utente mantinha uma HTA grau 2 não controlada. Os autores pretendem alertar para a importância de, no meio das muitas tarefas do dia-a-dia, ser mantida uma boa prática semiológica na determinação da pressão arterial, em ambos os braços. </p> Diana Patrícia Pereira Coelho Inês José Maia da Silva Hiroshi Okai Direitos de Autor (c) 2021 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2021-09-14 2021-09-14 37 4 352 6 10.32385/rpmgf.v37i4.13014 Hipertiroidismo agudo: um possível caso de síndroma de Marine Lenhart https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13016 <p><strong>Introdução</strong>: O hipertiroidismo (HT) é uma patologia que ocorre devido à síntese e secreção excessiva de hormonas tiroideias pela glândula tiroideia, estimando-se que a sua prevalência a nível mundial se situa entre 1,2 e 1,6%. A principal etiologia do HT é a doença de Graves (DG), seguida do bócio multinodular (BMN) tóxico. As manifestações clínicas do HT podem variar, desde o quadro assintomático até ao quadro de tempestade tiroideia, uma situação rara de tirotoxicose aguda grave e potencialmente fatal. O síndroma de Marine Lenhart (SML) consiste num quadro de HT em contexto de coexistência de DG e BMN tóxico, sendo uma situação rara que ocorre em 0,8 a 2,7% dos pacientes com DG.</p><p><strong>Descrição do caso</strong>: Mulher de 50 anos, com antecedentes pessoais de BMN tóxico não medicado, recorre a consulta de doença aguda por quadro caracterizado por fraqueza extrema com impotência funcional para a marcha, insónia grave, labilidade emocional e irritabilidade associada a palpitações. Foi referenciada ao serviço de urgência (SU) onde foi diagnosticada com HT grave por DG, tendo ficado internada. Houve estabilização clínica e laboratorial com melhoria dos sintomas e teve alta com o provável diagnóstico de SML.</p><p><strong>Comentário</strong>: Este caso demonstra a importância da monitorização tiroideia e vigilância sintomática dos doentes com patologia tiroideia de base. O médico de família tem um papel fundamental no controlo destas situações por ter um acompanhamento longitudinal dos seus pacientes. Uma abordagem mais abrangente de cada doente e a articulação entre os cuidados de saúde primários e secundários permite a identificação de problemas clínicos específicos e tratamento precoce dos mesmos.</p> Valter Filipe Moreira Andreia Teles Ribeiro Direitos de Autor (c) 2021 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2021-09-14 2021-09-14 37 4 357 61 10.32385/rpmgf.v37i4.13016 Fitofotodermatite: um diagnóstico a recordar – Relato de caso https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13083 <p><strong>Introdução</strong>: A fitofotodermatite consiste numa reação inflamatória causada pela exposição da pele a agente tópico vegetal fotossensibilizante contendo furocumarinas, seguida de exposição a radiação ultravioleta. O caso clínico apresentado mostra a importância de uma cuidada anamnese aquando da avaliação clínica, já que a mesma é considerada a pedra basilar para o diagnóstico desta patologia.</p><p><strong>Descrição do caso</strong>: Homem, 59 anos, técnico de análises clínicas, com antecedentes pessoais de hipertensão arterial essencial medicada e controlada com ramipril 2,5mg e fototipo de pele Fitzpatrick II. Recorre à consulta por quadro de eritema linear e vesículas discretas de conteúdo claro na região anterior de ambos os antebraços que notou subitamente de manhã, na semana anterior. Negava prurido, mas referia sensação de calor e ardor nas lesões. Negava ainda conhecimento de fator desencadeante do quadro clínico, alergias conhecidas, aplicação de algum novo produto cosmético ou fármaco ou exposição solar prolongada, reforçando não ter havido alteração de hábitos diários. Após anamnese mais detalhada, o utente referiu que carregou em braços resíduos provenientes da poda do crescimento excessivo do seu terreno de cultivo, o que incluía arruda. O diagnóstico de fitofotodermatite foi assim estabelecido.</p><p><strong>Comentário</strong>: A família das <em>Rutaceae</em>, onde está incluída a arruda, é a segunda família de plantas que tem mais casos associados de fitofotodermatite. O diagnóstico desta patologia é clínico, sendo a anamnese fundamental para apurar a exposição a plantas que contenham furocumarinas. Neste caso, a apresentação característica de eritema linear e vesículas, com sensação de ardor, sem prurido, aliada a história de exposição a planta produtora de furocumarinas permite estabelecer o diagnóstico. A prevenção é o melhor tratamento, já que a eficácia da aplicação de corticoides tópicos, anti-histamínicos e outras intervenções tem evidência limitada. A hiperpigmentação surge uma a duas semanas após a exposição e pode persistir por mais de um ano.</p> Ana Luísa Teixeira Vera Teixeira Direitos de Autor (c) 2021 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2021-09-14 2021-09-14 37 4 362 5 10.32385/rpmgf.v37i4.13083