Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf <p>A Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar é um órgão oficial da Associação Portuguesa de Medicina Geral Familiar. Visa contribuir para o desenvolvimento da especialidade de Medicina Geral e Familiar e dos Cuidados de Saúde Primários, através de uma publicação científica isenta, rigorosa e atual.</p> <p>É publicada desde 1984 com uma periodicidade bimestral.</p> Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar pt-PT Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar 2182-5173 <p>Os autores concedem à RPMGF o direito exclusivo de publicar e distribuir em suporte físico, electrónico, por meio de radiodifusão ou em outros suportes que venham a existir o conteúdo do manuscrito identificado nesta declaração. Concedem ainda à RPMGF o direito a utilizar e explorar o presente manuscrito, nomeadamente para ceder, vender ou licenciar o seu conteúdo. Esta autorização é permanente e vigora a partir do momento em que o manuscrito é submetido, tem a duração máxima permitida pela legislação portuguesa ou internacional aplicável e é de âmbito mundial. Os autores declaram ainda que esta cedência é feita a título gratuito. Caso a RPMGF comunique aos autores que decidiu não publicar o seu manuscrito, a cedência exclusiva de direitos cessa de imediato.</p> <p>Os autores autorizam a RPMGF (ou uma entidade por esta designada) a actuar em seu nome quando esta considerar que existe violação dos direitos de autor.</p> <p> </p> Avaliação dos hábitos alimentares nos cuidados de saúde primários: uma ferramenta de apoio à prática clínica https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13387 <p><strong>Introdução</strong>: A prevalência do excesso de peso e obesidade tem vindo a aumentar nas últimas décadas, atingido cerca de 60% da população portuguesa. Estas patologias associam-se a elevada morbimortalidade, traduzindo-se num incremento de custos em saúde. Os cuidados de saúde primários (CSP) são responsáveis por intervir preventivamente junto da população, promovendo estilos de vida saudáveis.</p> <p><strong>Objetivo</strong>: Criar uma ferramenta informática de apoio à prática clínica que permita ao médico de família (MF) abordar, de forma interativa e personalizada, o excesso de peso e a obesidade em adultos.</p> <p><strong>Métodos</strong>: A ferramenta foi idealizada para integrar o layout do SClínico®, sendo identificada através de botão alusivo à alimentação. O clique permitiria a abertura de um questionário dividido em duas partes. Inicialmente calcular-se-iam as necessidades energéticas diárias do indivíduo (em kcal), segundo o método de <em>Harris-Benedict</em>. De seguida, seria obtido um valor estimado do aporte calórico diário, através do registo de um diário alimentar de 24 horas. A conversão dos alimentos referidos pelo utente em kcal seria automática, com recurso a uma base de dados pré-existente. Após preenchimento, pela diferença entre as necessidades calóricas do indivíduo e o aporte dietético obter-se-ia o balanço diário em kcal. Este valor poderia ser apresentado ao utente como ponto de partida para intervenção breve pelo MF, diálogo sobre erros alimentares e reflexão acerca da dualidade consumo/gasto energético. A ferramenta permitiria ainda a consulta do histórico de registos prévios e a impressão de folhetos de educação para a saúde. Como principal obstáculo à sua implementação, os autores destacam o tempo limitado de consulta.</p> <p><strong>Discussão e Conclusão</strong>: As medidas antecipatórias e cuidados preventivos são prioridades nos CSP. A ferramenta proposta amplificaria os dados disponíveis para a intervenção breve pelo MF sobre os hábitos alimentares dos utentes, promovendo e melhorando a prática dessa abordagem nos CSP, em linha com os objetivos nacionais.</p> Catarina Metelo-Coimbra Ana Cecília Barbosa Ana Cláudia Paiva Ana Sofia Tadeu Nuno Junqueira Neto Direitos de Autor (c) 2022 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2022-11-09 2022-11-09 38 5 545 51 10.32385/rpmgf.v38i5.13387 Aprendizagem relacional: oportunidades e desafios na formação em medicina geral e familiar https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13222 <p><strong>Introdução: </strong>A aprendizagem interpares é uma ferramenta educacional diferenciada, incluindo o modelo tradicional de tutoria e a interação de indivíduos com o mesmo grau de formação. O programa de formação especializada em medicina geral e familiar (MGF) introduziu, em 2019, a aprendizagem relacional no horário semanal dos médicos internos. Na Administração Região de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) foi adotado o modelo das Sessões de Aprendizagem Relacional (SAR). O presente estudo procurou perceber como está a ser implementada esta prática em Portugal continental, de forma a promover adaptações que permitam alcançar todo o seu potencial.</p> <p><strong>Métodos: </strong>Foram incluídos os internos do 54º grupo da formação especializada em MGF. Os dados foram recolhidos entre 12/nov e 12/dez de 2020, através de um questionário <em>online</em> divulgado por correio eletrónico pelas coordenações do Internato Médico de MGF (CIMGF).</p> <p><strong>Resultados: </strong>De um total de 416 internos obtiveram-se 86 respostas, 60 das quais da ARSLVT. À data da recolha dos dados verificou‑se que na ARS Norte não tinha sido implementado qualquer modelo formal de aprendizagem relacional. Na ARSLVT apenas um ACeS não realizava SAR. Nas ARS Centro, Alentejo e Algarve, esta prática não era uniforme. Nas SAR implementadas parecem desenvolver-se diversas atividades, o planeamento é maioritariamente feito de acordo com as orientações publicadas e a maioria dos internos reconhece a sua utilidade. São apontadas como principais dificuldades o impacto na atividade assistencial, a distância entre unidades e a ausência de apoio da direção de internato. A adoção de um horário rotativo, a implementação de sessões <em>online</em> e a existência de documentos orientadores são possíveis soluções.</p> <p><strong>Conclusão: </strong>Tendo em vista a harmonização do percurso e a igualdade de oportunidades formativas devem ser procuradas estratégias locais efetivas para que a aprendizagem relacional seja uma realidade profícua para todos os internos.</p> Rita Pereira da Silva Medeiros Ana Filipa Nascimento Ana Isabel Delgado André Melícia Andreia Serrinha Catarina Ferreira Moita Maria Tavares Pina Direitos de Autor (c) 2022 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2022-11-09 2022-11-09 38 5 436 48 10.32385/rpmgf.v38i5.13222 Asma na adolescência: avaliação da qualidade de vida e dos principais fatores de risco https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13315 <p><strong>Introdução: </strong>A asma é uma doença heterogénea, com uma prevalência estimada de 9% nos adolescentes. Os adolescentes asmáticos, para além de lidarem com os sintomas físicos, podem também debater-se com problemas sociais e emocionais, devido à incapacidade de acompanhar os seus pares em ambientes onde possam existir fatores desencadeantes da doença.</p> <p><strong>Objetivo: </strong>Avaliar a perceção da qualidade de vida (QoL) em adolescentes asmáticos seguidos em consulta de alergologia pediátrica num hospital de nível II. </p> <p><strong>Método: </strong>Estudo transversal, englobando doentes asmáticos entre os 10 e os 17 anos, observados em consulta de alergologia pediátrica. Foi feita a caracterização da doença e pesquisados fatores de risco e comorbilidades associadas. Posteriormente aplicou-se o Questionário de Qualidade de Vida na Asma Pediátrica (PAQLQ).</p> <p><strong>Resultados: </strong>Foram avaliados 41 adolescentes, 68,3% do sexo masculino, com idade média de 13,1±2,0 anos. Nenhum doente apresentava asma grave e 13 (31,7%) tinham asma moderada. A asma não estava controlada em 11 (26,8%) doentes e 33 (80,5%) apresentavam provas de função respiratória (PFR) normais. Os adolescentes com asma controlada apresentaram maior pontuação em todos os domínios do questionário, sendo a diferença estatisticamente significativa (<em>p</em>&lt;0,05). A gravidade da asma e a presença de alterações na PFR relacionaram-se com pior pontuação total do PAQLQ e nos domínios «sintomas» e «emocional» (<em>p</em>&lt;0,05). Relativamente aos fatores de risco, o valor do FeNO e a obesidade, para o domínio «sintomas», e a ansiedade, para os domínios «emocional» e «sintomas», relacionaram-se com um agravamento estatisticamente significativo (<em>p</em>&lt;0,05) da QoL.</p> <p><strong>Conclusões:</strong> A QoL está diretamente relacionada com o nível de controlo e gravidade da asma. O uso de um questionário em português, que permite avaliar a QoL, pode ser uma ferramenta útil, quer no incentivo dos adolescentes ao cumprimento da terapêutica quer na orientação do profissional de saúde sobre o seu trabalho.</p> Íris Santos Silva Catarina Macedo Francisco Joana Filipe Ribeiro João Virtuoso Pedro Guerra Rita S. Oliveira Direitos de Autor (c) 2022 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2022-11-09 2022-11-09 38 5 452 9 10.32385/rpmgf.v38i5.13315 Empatia e empoderamento na diabetes mellitus tipo 2 https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13381 <p><strong>Objetivos: </strong>Avaliar a perceção de pessoas com diabetes <em>mellitus</em> tipo 2 acerca da empatia do seu médico e o seu empoderamento relativamente à doença, perceber a influência de cada um no controlo metabólico da patologia e estudar uma possível correlação entre eles.</p> <p><strong>Métodos: </strong>Realizou-se um estudo transversal descritivo e analítico a uma amostra aleatória de 65 indivíduos com diabetes mellitus tipo 2, representativa em tamanho da população diabética de dois grupos de Unidades de Saúde Familiar da região centro de Portugal. Aplicou-se, a cada um dos indivíduos no dia da consulta médica, um questionário de caracterização sociodemográfica e clínico-laboratorial e as versões portuguesas do questionário <em>Jefferson Scale of Patient Perceptions of Physician Empathy</em> (JSPPPE), para avaliação da perceção da empatia médica, e do <em>Diabetes Empowerment Scale Short Form</em> (DES-SF), para estimar o empoderamento da pessoa diabética relativamente à doença. Subsequentemente realizou-se análise estatística descritiva e inferencial após verificação da normalidade dos dados.</p> <p><strong>Resultados: </strong>Como resultados verificou-se uma pontuação final média da JSPPPE de 6,3±1,0 (IC95%, 6,1 a 6,6) e da DES-SF de 4,4±0,6 (IC95%, 4,3 a 4,6). Identificou-se uma correlação positiva fraca, sem significado estatístico, entre o valor médio da HbA1c e o valor médio da JSPPPE (<em>ρ</em>=0,346; <em>p</em>=0,119). Determinaram-se correlações estatisticamente significativas entre a média dos dois últimos valores de HbA1c e a média da DES-SF (<em>ρ</em>=-0,282; <em>p</em>=0,023) e entre a média da JSPPPE e da DES-SF (<em>ρ</em>=0,495; <em>p</em>&lt;0,001).</p> <p><strong>Conclusões:</strong> O estudo não demonstrou haver correlação entre a perceção da empatia médica e o controlo metabólico na diabetes. No entanto, evidenciou uma relação inequívoca entre a perceção da empatia médica e o empoderamento para a diabetes, bem como uma correlação significativa entre o empoderamento do indivíduo e o controlo metabólico da patologia.</p> Rita Mendes Luiz Miguel Santiago Direitos de Autor (c) 2022 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2022-11-09 2022-11-09 38 5 461 72 10.32385/rpmgf.v38i5.13381 Implementing an online program to change benzodiazepine prescription in Portugal: a cluster randomized trial https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13422 <p><strong>Background:</strong> The excessive prescription of benzodiazepines (BZD) has long been considered a worldwide public health issue. Despite the existence of a large body of literature regarding interventions to change BZD prescription patterns, most fail to report significant or long-term effects.</p> <p><strong>Objective:</strong> To study the effect of the implementation of a Digital Behaviour Change Intervention (DBCI) online platform – named ePrimaPrescribe – on the BZD prescription pattern. Secondarily, to determine the effect of the platform implementation on diagnosis registration coded in the same months as BZD prescription and the costs for the NHS with co-payment.</p> <p><strong>Methods:</strong> We followed a cluster-randomised design to allocate 18 primary healthcare units, from a region in Portugal. The study included BZD prescriptions from 250 general practitioners (GP) for a period of 12 months before and after intervention implementation.</p> <p><strong>Results:</strong> BZD was more frequently prescribed to elders and females. The most frequently prescribed BZD was alprazolam. Most prescribed BZD had a medium half-life. In most analyses, we did not find any significant change in the BZD prescription pattern. Regarding secondary outcomes, the depressive disorder was the first, anxiety disorder the second, and dementia the fifth most frequently registered diagnosis associated with BZD prescription. BZD’s co-payment represented an average expenditure of approximately 1,300 € per unit per month.</p> <p><strong>Conclusion:</strong> We could not find any significant difference in the BZD prescription pattern after ePrimaPrescribe implementation. Further work is required to explore the factors influencing resistance to BZD prescription patterns. </p> Teresa Reis Helena Serra Sofia Azeredo Miguel Xavier Direitos de Autor (c) 2022 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2022-11-09 2022-11-09 38 5 474 86 10.32385/rpmgf.v38i5.13422 Isolamento social e solidão dos idosos em tempo de COVID-19 https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13347 <p>As medidas de distanciamento social impostas foram extremamente importantes para controlar a propagação da COVID-19. No entanto, vieram agravar o isolamento social e a solidão, problemática especialmente importante na população idosa. Realizou-se uma revisão das consequências do isolamento e da solidão na população idosa e de que modo os cuidados de saúde se devem preparar para conseguir contornar este desafio. Aqui, o médico de família assume um papel essencial, pela sua proximidade da população.</p> Andreia Soares Teles Ribeiro Direitos de Autor (c) 2022 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2022-11-09 2022-11-09 38 5 539 44 10.32385/rpmgf.v38i5.13347 Determinantes do adoecimento mental na população sem-abrigo https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13394 <p>A definição de sem-abrigo não é consensual e varia entre alguém que vive literalmente na rua a um conceito mais alargado. Ser sem-abrigo resulta de um fenómeno heterogéneo e multidimensional, que pode afetar não só os indivíduos mais vulneráveis, como também aqueles que se encontram numa situação económica e social estável. A relação entre ser sem-abrigo e ter doença psiquiátrica é há muito conhecida. Há uma maior prevalência de todas as patologias mentais em sem-abrigo em relação à população geral, situando-se entre os 25 a 50%. O risco de ficar em situação de sem-abrigo para pessoas diagnosticadas com doenças mentais é dez vezes maior do que para a população em geral, na medida em que a funcionalidade e a autonomia dos indivíduos podem ficar altamente afetadas. Além disso, as adversidades associadas a tornar-se e a permanecer sem-abrigo são complexas e podem também elas criar combinações únicas de fatores de stresse para problemas de saúde mental. Trabalhar com pessoas em situação de sem-abrigo e, especialmente com doença mental, é um trabalho exigente. O problema central nos sem-abrigo com doenças mentais é a falta de acessibilidade aos tratamentos na comunidade e de habitação adequada. As políticas sociais devem ser abrangentes e ter em consideração a heterogeneidade da população sem-abrigo, desenvolvendo estratégias ajustadas às diferentes necessidades, flexíveis e adaptadas a cada pessoa.</p> Patrícia Jorge Direitos de Autor (c) 2022 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2022-11-09 2022-11-09 38 5 488 95 10.32385/rpmgf.v38i5.13394 Suplementação de iodo na gravidez e impacto no desenvolvimento neurocognitivo da criança https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13481 <p><strong>Introdução</strong>: O iodo é fundamental para a síntese das hormonas tiroideias, que desempenham um papel essencial no desenvolvimento cerebral. Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde emitiu, em 2013, uma orientação clínica que recomenda a suplementação de iodo a mulheres em preconceção, grávidas ou a amamentar.</p> <p><strong>Objetivos</strong>: O objetivo desta revisão é determinar se a suplementação de iodo na gravidez tem impacto no neurodesenvolvimento da criança.</p> <p><strong>Métodos</strong>: Foi efetuada uma revisão baseada na evidência, recorrendo à análise de normas de orientação clínica, revisões sistemáticas, meta-análises e ensaios clínicos aleatorizados e controlados indexados nas bases de dados <em>National Institute for Health and Care Excellence</em>, <em>Agency for Healthcare Research and Quality</em>, <em>Canadian Medical Association Practice Guidelines Infobase</em>, <em>The Cochrane Library</em>, <em>Database of Abstracts of Reviews of Effectiveness</em>, <em>Bandolier</em>, <em>Evidence Based Medicine Online</em> e PubMed.</p> <p><strong>Resultados</strong>: Foram incluídas seis revisões sistemáticas e meta-análises e duas normas de orientação clínica. Estas últimas recomendam a suplementação de iodo antes da conceção, durante a gravidez e lactação. A suplementação de iodo durante a gravidez em regiões com deficiência severa reduz o risco de cretinismo e aumenta o quociente de inteligência. Relativamente ao efeito no neurodesenvolvimento, em áreas com deficiência leve a moderada os resultados são divergentes.</p> <p><strong>Discussão</strong>: A suplementação materna de iodo tem efeitos positivos no neurodesenvolvimento em regiões com deficiência severa. Contudo, existem poucos estudos de boa qualidade realizados em regiões com deficiência leve a moderada.</p> <p><strong>Conclusões</strong>: São necessários ensaios clínicos aleatorizados e controlados de qualidade, em regiões com deficiência leve a moderada de iodo, para esclarecer os efeitos desta suplementação.</p> Susana Almeida Direitos de Autor (c) 2022 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2022-11-09 2022-11-09 38 5 497 510 10.32385/rpmgf.v38i5.13481 Prescrição de atividade física nos cuidados de saúde primários https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13594 <p>Não aplicável&nbsp;</p> Rita Cancela Nogueira Diana Brigas Direitos de Autor (c) 2022 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2022-11-09 2022-11-09 38 5 552 3 10.32385/rpmgf.v38i5.13594 Motivos de consulta: devemos completar os nossos registos? https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13593 <p>Não apli´cável.</p> Marta Monteiro Ferreira Maria Guilhermina Pereira Direitos de Autor (c) 2022 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2022-11-09 2022-11-09 38 5 554 5 10.32385/rpmgf.v38i5.13593 O passado e o futuro da infeção por VIH: um caso clínico https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13121 <p>O prognóstico dos doentes com infeção pelo vírus da imunodeficiência humana (VIH) melhorou consideravelmente nas últimas décadas. Por um lado, com o aparecimento da terapia antirretroviral (TAR), o sarcoma de Kaposi (SK) passou a ser uma complicação rara na atualidade. Por outro, com o aumento da esperança média de vida desta população observa-se um risco acrescido de doenças cardiovasculares, como o enfarte agudo do miocárdio (EAM), que persiste mesmo com o tratamento e não pode ser explicado apenas pelos fatores de risco cardiovasculares tradicionais. Os autores descrevem um caso clínico de um jovem com infeção pelo VIH, sem realização de TAR de forma consistente, com diagnóstico recente de SK e EAM. Este artigo aponta factos que poderão ter conduzido à ocorrência destas doenças, mostrando que o SK não é uma doença que ficou no passado e salientando o risco atual de complicações cardiovasculares nos doentes com infeção por VIH.</p> Gisela Santos Leite Vânia Fernandes Rui Rocha Direitos de Autor (c) 2022 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2022-11-09 2022-11-09 38 5 512 5 10.32385/rpmgf.v38i5.13121 Hipocalcemia sintomática em cuidados de saúde primários: a propósito de um caso clínico https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13284 <p><strong>Introdução</strong>: O hipoparatiroidismo é uma causa de hipocalcemia, sendo a sua principal etiologia a exérese inadvertida/lesão das paratiroides aquando da tiroidectomia total. Habitualmente os sintomas manifestam-se no período pós-operatório imediato, sendo rara a sua manifestação anos após a cirurgia. Atendendo à sua forma de apresentação inespecífica, no caso de uma manifestação tardia, o seu diagnóstico requer elevado grau de suspeição. Assim, pretende-se apresentar um caso de hipocalcemia tardia, alertando-se para a sua sintomatologia inespecífica e consequente dificuldade de diagnóstico no âmbito dos cuidados de saúde primários de uma situação que pode ser potencialmente grave ou até fatal.</p> <p><strong>Descrição do caso</strong>: Doente submetida a tiroidectomia por carcinoma papilar da tiroide, com paratiroidectomia parcial incidental em 2010, seguida de terapêutica com iodo radioativo. Desde 2016 com mialgias, parestesias das mãos e ansiedade com agravamento progressivo. Em 2019, por quadro de ansiedade extrema e tetania dos membros superiores, foi enviada ao serviço de urgência, onde foi diagnosticada hipocalcemia grave por iatrogenia pós tiroidectomia total de apresentação tardia.</p> <p><strong>Comentário</strong>: Esta é uma condição rara, que pode mimetizar um amplo espectro de doenças do foro músculo-esquelético, neurológico ou psiquiátrico. Deve pesquisar-se sinal de <em>Trousseau</em> e <em>Chvostek</em>, confirmando-se diagnóstico com cálcio e hormona paratiroideia, seguindo-se tratamento com cálcio e vitamina D. Em situações agudas é necessária avaliação em serviço de urgência. Este caso retrata a importância do médico de família na avaliação de sintomas inespecíficos que, a par dos antecedentes e observação semiológica cuidada, poderão fazer suspeitar de diagnósticos incomuns, mas potencialmente fatais.</p> Maria Da Graça Pereira Cardoso Ana Luísa Silva Ana Cristina Varandas Lígia Silva Direitos de Autor (c) 2022 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2022-11-09 2022-11-09 38 5 517 22 10.32385/rpmgf.v38i5.13284 Uma causa rara de diarreia: efeito pouco frequente de um medicamento comum https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13360 <p><strong>Introdução: </strong>A hipertensão arterial (HTA) é uma doença crónica e um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares. Por essa razão, o doente hipertenso beneficia de um seguimento regular e orientado pelo seu médico de família (MF). O controlo tensional pode ser alcançado com medidas de estilo de vida ou também com recurso a terapêutica farmacológica. Desta última, salienta-se a classe dos antagonistas do recetor da angiotensina II (ARA), comummente utilizados na prática clínica pelo seu efeito anti-hipertensivo e perfil de segurança, sendo que em raras vezes pode causar diarreia crónica grave. O presente relato pretende dar a conhecer um diagnóstico raro e sensibilizar o MF para uma nova hipótese diagnóstica perante um quadro de diarreia crónica.</p> <p><strong>Descrição do caso: </strong>Mulher, 65 anos, com antecedentes pessoais de HTA medicada com olmesartan 20mg desde 2012, sem outros antecedentes pessoais de relevo. A doente iniciou um quadro de diarreia com um mês de evolução e que motivou inúmeras avaliações médicas. Associadamente, com queixas de cólica abdominal, náusea, vómitos, astenia e perda ponderal. Perante uma investigação em ambulatório inconclusiva e à ausência de melhoria clínica com os diversos tratamentos empíricos, a utente foi proposta para internamento para estudo etiológico. Ao longo do internamento, a descontinuação do olmesartan resultou na resolução do quadro, tendo tido alta com o diagnóstico de enteropatia <em>sprue-like</em>.</p> <p><strong>Comentário:</strong> O presente caso pretende enfatizar a importância de uma anamnese completa e detalhada, relembrar os principais passos no estudo da diarreia crónica e dar a conhecer um diagnóstico raro de enteropatia <em>sprue</em>-<em>like </em>induzida pelo olmesartan. Em concordância com as características da disciplina de medicina geral e familiar, caberá ao MF o acompanhamento longitudinal destes utentes, com consequente reavaliação e vigilância das queixas. Perante este diagnóstico levanta-se um novo desafio ao MF na ulterior orientação do controlo tensional destes utentes.</p> Rafaela Costa Maria João Cunha Direitos de Autor (c) 2022 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2022-11-09 2022-11-09 38 5 524 9 10.32385/rpmgf.v38i5.13360 Ninguém nasce com micose https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13365 <p><strong>Introdução:</strong> O mau alinhamento congénito ungueal do hálux carateriza-se pelo desvio lateral do prato ungueal, com consequente hiperqueratose e distrofia ungueal. Sem etiologia completamente esclarecida, reconhecem-se causas genéticas e fatores extrínsecos, tais como microtraumatismos recorrentes. Esta condição é frequentemente mal diagnosticada e tratada como onicomicose. Comummente, este desvio está presente desde o nascimento, surgindo alterações ungueais habitualmente nos primeiros anos de vida. Na maioria dos casos, verifica-se apenas um desvio ligeiro que pode passar despercebido até à infância tardia/puberdade, quando ocorrem alterações ungueais marcadas resultantes de stress mecânico. Os casos sem distrofia significativa não carecem de intervenção. Nos restantes, está indicado o tratamento conservador com formulações tópicas de ureia.</p> <p><strong>Descrição do caso:</strong> Menina de 7 anos, previamente saudável, foi referenciada à consulta de Dermatologia pela Médica de Família por “onicomicose das unhas dos háluxes” refratária a tratamento com antifúngicos tópicos nos últimos 18 meses. Ao exame objetivo, apresentava unhas de coloração amarelo-acastanhada e hiperqueratose com distrofia de ambos os háluxes, valgismo bilateral dos primeiros dedos e distrofia ungueal dos segundos dedos dos pés, sem sinais inflamatórios. A menina apresentava alterações ungueais desde o nascimento, sem história de trauma, e o pai apresentava um quadro idêntico, também resistente ao tratamento com antifúngicos, desde há vários anos. Foi assumido o diagnóstico de distrofia ungueal secundária ao mau alinhamento congénito ungueal dos háluxes. Recomendou-se a aplicação de um creme de ureia e raspagem das unhas de acordo com o conforto da criança.</p> <p><strong>Comentário</strong>: O conhecimento desta entidade permite estabelecer um correto diagnóstico, evitando tratamentos desnecessários e possíveis efeitos adversos. Sublinha-se a importância de uma história clínica cuidada, com destaque para o início do quadro clínico e a existência de quadros semelhantes na família. A aparência ungueal dismórfica desde o nascimento ou primeira infância deverá alertar para uma condição diferente de onicomicose, sendo esta infrequente em idades tão precoces.</p> Ana Paiva Ana Luísa Silva Maria João Cruz Direitos de Autor (c) 2022 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2022-11-09 2022-11-09 38 5 531 3 10.32385/rpmgf.v38i5.13365 Impacto da pandemia COVID-19 na saúde mental dos profissionais de saúde de uma unidade de saúde familiar https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13400 <p>Volvidos quase dois anos após o aparecimento da pandemia COVID-19 começamos agora a ter de lidar não só com a doença em si, mas também com as suas consequências. A saúde tem estado no foco das atenções e daqueles que cuidam dela ainda mais, sobretudo os cuidados de saúde primários pelo seu papel ativo na fase de pandemia. Normal será que todo esse esforço acabe, de uma maneira ou de outra, por refletir-se na saúde mental dos profissionais de saúde. Foi, por isso, desenvolvido um estudo no sentido de perceber o impacto da pandemia COVID-19 na saúde mental dos profissionais de saúde numa unidade de saúde familiar (USF). Os resultados revelaram-se bastante impactantes, sendo que a maioria não só sentiu um moderado a forte impacto como apresentou sintomas sugestivos de <em>burnout</em> – como exaustão emocional, ansiedade e perturbações do sono –, levando mesmo a uma elevada proporção de profissionais que recorreram ao uso de medicação antidepressiva/ansiolítica e indutora do sono. É, portanto, urgente a instituição de medidas preventivas ou ações de apoio que promovam a saúde mental dos profissionais em questão.</p> Patrícia Maria Moreira Maria Soledade Fino Lopes Direitos de Autor (c) 2022 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2022-11-09 2022-11-09 38 5 535 8 10.32385/rpmgf.v38i5.13400 Clinical trials in primary care: bridging the gap between evidence-based recommendations and clinical practice https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13609 <p>Editorial</p> Athina Tatsioni Direitos de Autor (c) 2022 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2022-11-09 2022-11-09 38 5 433 4 10.32385/rpmgf.v38i5.13609