Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf <p>A Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar é um órgão oficial da Associação Portuguesa de Medicina Geral Familiar. Visa contribuir para o desenvolvimento da especialidade de Medicina Geral e Familiar e dos Cuidados de Saúde Primários, através de uma publicação científica isenta, rigorosa e atual.</p> <p>É publicada desde 1984 com uma periodicidade bimestral.</p> pt-PT <p>Os autores concedem à RPMGF o direito exclusivo de publicar e distribuir em suporte físico, electrónico, por meio de radiodifusão ou em outros suportes que venham a existir o conteúdo do manuscrito identificado nesta declaração. Concedem ainda à RPMGF o direito a utilizar e explorar o presente manuscrito, nomeadamente para ceder, vender ou licenciar o seu conteúdo. Esta autorização é permanente e vigora a partir do momento em que o manuscrito é submetido, tem a duração máxima permitida pela legislação portuguesa ou internacional aplicável e é de âmbito mundial. Os autores declaram ainda que esta cedência é feita a título gratuito. Caso a RPMGF comunique aos autores que decidiu não publicar o seu manuscrito, a cedência exclusiva de direitos cessa de imediato.</p> <p>Os autores autorizam a RPMGF (ou uma entidade por esta designada) a actuar em seu nome quando esta considerar que existe violação dos direitos de autor.</p> <p> </p> secretariado@rpmgf.pt (Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar) nuno.pereira@cast.pt (Nuno Pereira) Tue, 13 Sep 2022 08:39:55 +0000 OJS 3.3.0.11 http://blogs.law.harvard.edu/tech/rss 60 Tratamento da infeção por Helicobacter pylori nos cuidados de saúde primários: um trabalho de melhoria da qualidade https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13238 <p><strong>Introdução:</strong> Vários regimes de antibioterapia têm sido propostos para tratamento da infeção por <em>Helicobater pylori</em> (Hp) e a escolha de terapêutica adequada deve basear-se nas resistências locais aos antibióticos, com recurso a terapia quádrupla. Pretende-se com este trabalho melhorar a qualidade da prescrição para tratamento das infeções por Hp, de acordo com a NOC, recomendações clínicas mais recentes e perfis de resistência em Portugal.</p> <p><strong>Materiais e Métodos: </strong>Este é um trabalho de melhoria de qualidade técnico-científica com dois momentos de avaliação interna, em cinco unidades da Zona Centro. Foram considerados todos os utentes com diagnóstico de infeção por Hp num período de três meses antes e após uma breve intervenção sobre as orientações mais atuais no tratamento do Hp. Os dados foram recolhidos do MIM@UF® e SClínico® e tratados em Microsoft Excel® 2016. </p> <p><strong>Resultados:</strong> Na avaliação obtiveram-se 68 utentes com diagnóstico positivo para Hp. Destes, 65 receberam tratamento para um total de 46% (<em>n</em>=30) com tratamento adequado. No período pós-intervenção foram avaliados 65 utentes com diagnóstico de infeção por Hp. Destes, 62 receberam tratamento para um total de 71% (<em>n</em>=44) com tratamento adequado.</p> <p><strong>Discussão:</strong> A intervenção traduziu-se numa melhoria da escolha de terapêutica de primeira linha. Houve uma diminuição na escolha da terapêutica tripla, assim como no erro de prescrição.</p> <p><strong>Conclusão:</strong> Este trabalho evidencia como a intervenção formativa junto dos médicos poderá contribuir para a melhoria da qualidade da prescrição para tratamento da infeção por Hp.</p> Estela Cabral, Ângela Costa, Dinamene Oliveira, Maria João Lopes, Sofia Garcia W. Direitos de Autor (c) 2022 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13238 Tue, 13 Sep 2022 00:00:00 +0000 Trimetilaminúria, uma doença social? Relato de caso https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13499 <p>A trimetilaminúria ou “síndroma do cheiro a peixe” é uma doença metabólica rara, considerada subdiagnosticada, devida ao défice da enzima flavina mono-oxigenase 3. Esta patologia tem como sintomas a presença de odor a peixe após a ingestão de alimentos contendo precursores de trimetilamina. Não apresenta outros sintomas físicos de relevo, mas pode representar consequências importantes a nível social e psicológico. O conhecimento da patologia e o seu diagnóstico precoce permite reduzir o impacto nocivo a estes níveis, através da adoção de estratégias para reduzir a sintomatologia. Este artigo apresenta um caso clínico de uma doente, do sexo feminino, com seis anos de idade, com trimetilaminúria, realçando a importância da consulta de saúde infantil e juvenil, realizada nos cuidados de saúde primários, para a valorização das queixas apresentadas pelos familiares e para a identificação precoce de patologias raras, mas com potenciais complicações a longo prazo.</p> Inês Rua, Rita Ribau, Mariana Fonseca Silva, Elsa Martins Direitos de Autor (c) 2022 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13499 Tue, 13 Sep 2022 00:00:00 +0000 2021 European guidelines on cardiovascular disease prevention: what is the news? https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13561 <p>x</p> Carlos Brotons Direitos de Autor (c) 2022 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13561 Tue, 13 Sep 2022 00:00:00 +0000 Teleconsulta de medicina geral e familiar em doze passos: uma adaptação em tempos de pandemia https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13171 <p>Este artigo propõe uma estrutura para as teleconsultas de medicina geral e familiar, explorando estratégias para ultrapassar barreiras comunicacionais. Propõem-se doze passos divididos em três fases. <strong>Fase I: Preparação</strong>. Passo 1. Escolha do local: avaliar as condições do gabinete. Passo 2. Verificação da conexão: verificar a disponibilidade de telefone, computador e de impressora e a existência uma boa conexão de Internet. Passo 3. Preparação do consultório: certificar-se de que há boa luminosidade e que todos os objetos que possam a vir a ser necessários estão posicionados corretamente. Passo 4. Organização do pensamento: ler os registos médicos prévios e algum alerta importante. <strong>Fase II: Teleconsulta</strong>. Passo 5. Preparar a sessão: certificar-se de que tem o contacto correto do utente, <em>password</em> da sessão bem como o número telefónico de uma linha de apoio informático. Passo 6. Primeiros minutos: certificar-se de que o vídeo e o áudio estão a trabalhar corretamente; confirmar a identificação do paciente e garantir a sua privacidade. Passo 7. Avaliação rápida: avaliar rapidamente se o paciente está severamente doente ou não; se doença grave, escrever uma pequena história clínica e avaliar os parâmetros vitais de forma a decidir se deve encaminhar-se o doente para uma observação médica. Passo 8. Exploração: história da doença atual. Passo 9. Avaliação: este é o passo mais complexo; descrições do paciente, imagens de vídeo em direto ou enviadas posteriormente para o <em>email</em>, valores de dispositivos médicos que o paciente possua e uso de várias escalas médicas são uma excelente ajuda. Passo 10. Decisão: interpretação das monitorizações de forma a decidir o melhor seguimento em consenso com o doente. <strong>Fase III: Final</strong>. Passo 11. Encerramento: deve confirmar-se que foram abordados todos os temas propostos para a consulta e verificar se o utente compreendeu o plano. Passo 12. Reflexão final: finalizar os registos clínicos e realizar uma autorreflexão da consulta que teve lugar. Para a comunicação de más notícias deve usar-se o protocolo de SPIKES. Este artigo foi pensado como um guia de consulta para teleconsultas de medicina geral e familiar como forma de melhorar a abordagem médica durante a pandemia COVID-19.</p> Ana Catarino Gomes, Paula Brandão Alves Direitos de Autor (c) 2022 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13171 Tue, 13 Sep 2022 00:00:00 +0000 Motivos de consulta em medicina geral e familiar: tendência evolutiva na última década na região Centro de Portugal https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13148 <p><strong>Objetivo</strong>: Analisar os motivos de consulta classificados segundo capítulos da <em>International Classification for Primary Care – 2</em> (ICPC-2) pelos médicos de família na região Centro de Portugal, entre 2010 e 2018.</p> <p><strong>Métodos</strong>: Estudo transversal observacional dos motivos de consulta classificados pelos médicos de família de três Agrupamentos de Centros de Saúde da área da Administração Regional de Saúde do Centro, selecionados aleatoriamente, para os anos de 2010, 2012, 2014, 2016 e 2018. Obtiveram-se dados anonimizados organizados por sexo, ano, número total de consultas, número de consultas com classificação ICPC-2 do motivo de consulta e capítulos ICPC-2 registados, calculando-se as dinâmicas e crescimento.</p> <p><strong>Resultados</strong>: Em 12.569.898 consultas realizadas verificou-se proporção de 5,3% de consultas com motivo de consulta classificado. Os capítulos mais classificados em todos os anos estudados foram, decrescentemente, A (15,4%), L (11,3%), D (10,3%), R (8,4%), S (9,7%) e K (7,9%). Os capítulos menos classificados foram, crescentemente, Z (1,6%), Y (1,7%), B (1,9%), W (2,1%), H (2,9%) e N (3,7%). O capítulo Z teve a maior dinâmica de crescimento de 2010 para 2018 (∆=+1,15).</p> <p><strong>Discussão</strong>: Numa década de problemas socioeconómicos, os motivos de consulta registados pela ICPC-2 mantiveram-se constantes. A atividade de classificação de motivos de procura de consulta, mesmo com problemas de qualidade e volume de realização, pode ajudar na qualidade e resultado da consulta, sendo semelhantes aos já conhecidos na literatura.</p> <p><strong>Conclusão</strong>: Verificou-se classificação ICPC-2 de motivos de consulta pelos médicos de família em 5,3% das consultas, sendo os capítulos invariáveis ao longo do tempo. O capítulo Z registou a maior dinâmica de crescimento no volume de classificação.</p> Luiz Miguel Santiago, Clarisse Calça Coelho, José Augusto Simões Direitos de Autor (c) 2022 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13148 Tue, 13 Sep 2022 00:00:00 +0000 Sistemas de nebulização em idade pediátrica: uso domiciliário em São Miguel https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13167 <p><strong>Introdução</strong>: As doenças respiratórias são uma causa <em>major</em> de morbilidade em idade pediátrica. Os sistemas de nebulização, durante anos os dispositivos mais indicados para administração de aerossolterapia em crianças, foram suplantados pelos dispositivos simples de inalação. As linhas de orientação clínica atuais restringem a prescrição e utilização de nebulizadores. O objetivo do estudo é investigar a utilização domiciliária de sistemas de nebulização em idade pediátrica na Unidade de Saúde da Ilha de São Miguel.</p> <p><strong>Método</strong>: Estudo observacional, transversal e analítico. Inclusão de crianças dos zero aos sete anos e 365 dias de idade, inscritos na Unidade de Saúde da Ilha de São Miguel. Aplicação de inquérito sob a forma de questionário aos acompanhantes da população-alvo para avaliação do contexto de aquisição, utilização e manutenção dos sistemas de nebulização. Calculada uma amostra significativa de 380 utentes (intervalo de confiança de 95%).</p> <p><strong>Resultados</strong>: Participação de 387 utentes. Média de idades de 2,5 anos. 45,7% dos inquiridos afirmou possuir um nebulizador, enquanto 18,9% referiu possuir um dispositivo de inalação simples. A taxa de aquisição e utilização dos sistemas de nebulização sem prescrição médica foi de 67,8% e 79,7%, respetivamente. O custo da aquisição do sistema de nebulização foi entre 80 e 150 euros em 38,4%. A maioria da utilização não supervisionada ocorreu com soro fisiológico e no contexto de obstrução nasal (41,1%) e tosse (24,9%).</p> <p><strong>Conclusão</strong>: O presente estudo evidencia a aquisição e utilização excessiva, não supervisionada e inapropriada dos sistemas de nebulização. A presente investigação deverá motivar a promoção da utilização dos dispositivos simples através da educação dos utentes, cuidadores e profissionais de saúde, visando melhorar a prática de saúde local.</p> Augusta Arruda, Joana Fechado, Francisco Nunes Caldeira, Ana Isabel Machado, Carolina Eloi, Carolina Resendes, Beatriz Amaral, Ana Ventura Direitos de Autor (c) 2022 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13167 Tue, 13 Sep 2022 00:00:00 +0000 Associação entre a realização de interrupção voluntária da gravidez e a tipologia de cuidados de saúde primários: um estudo transversal https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13207 <p><strong>Introdução</strong>: Melhor desempenho nos cuidados de planeamento familiar (PF) permitiria, teoricamente, reduzir as taxas de gravidezes indesejadas e, consequentemente, as interrupções voluntárias da gravidez (IVG).</p> <p><strong>Objetivos</strong>: Verificar a existência de associação entre fatores organizacionais dos cuidados de saúde primários (CSP) e o recurso à consulta de IVG do Hospital Beatriz Ângelo, na população de mulheres que a esta recorreu durante o ano de 2018. </p> <p><strong>Métodos</strong>: Estudo observacional, analítico e transversal. Os dados foram colhidos da base de dados da consulta de IVG do ano 2018 e do Registo de Saúde Eletrónico. Foi realizada uma análise estatística descritiva e inferencial utilizando o programa SPSS<sup>®</sup>. </p> <p><strong>Resultados</strong>: Cerca de 39,1% das mulheres que realizaram uma IVG pertenciam a uma UCSP, 38,3% a uma USF modelo A e 22,6% a uma USF modelo B, sendo que 21,5% não tinham médico de família (MF). Após ajuste dos dados verificou-se que as utentes de uma USF modelo B ou com MF realizaram significativamente menos IVG (<em>p</em>=0,009 e <em>p</em>=0,001, respetivamente). As utentes de USF modelo B tiveram mais consultas nos CSP (<em>p</em>&lt;0,001) e utilizaram mais métodos contracetivos (<em>p</em>=0,022) nos 12 meses prévios à IVG. Também as mulheres com MF realizaram mais contraceção no ano anterior à IVG (<em>p</em>&lt;0,001).</p> <p><strong>Conclusões</strong>: O melhor acesso aos CSP e o maior uso de contraceção que se verificam entre as utentes de USF modelo B ou com MF associam-se a uma menor realização de IVG. Ter MF mas, principalmente, pertencer a uma USF modelo B revela-se protetor face à realização de IVG, evidenciando a necessidade de atribuir MF a toda a população, melhorar a acessibilidade aos serviços de PF e incentivar a autonomia organizacional ao nível dos CSP.</p> Catarina Neves Santos, Beatriz Chambel Direitos de Autor (c) 2022 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13207 Tue, 13 Sep 2022 00:00:00 +0000 Indicador 380: descobre onde estão os teus utentes com DPOC https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13310 <p>A doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC) é uma causa importante de morbilidade crónica e mortalidade prematura, constituindo a terceira causa de morte no mundo. Em Portugal estima-se que a sua prevalência, a partir dos 40 anos, seja de 14,2% com uma elevada proporção de subdiagnóstico. O Plano Nacional de Doenças Respiratórias preconiza o combate desta doença e o aumento do seu diagnóstico nos cuidados de saúde primários (CSP). A sociedade atual procura avaliar, quantificar e classificar a prestação dos serviços e, na saúde, os indicadores de desempenho avaliam elementos mensuráveis da prática clínica, permitindo o estabelecimento de boas práticas e melhoria dos cuidados prestados. Os autores propõem a utilização do indicador 2017.380 do Bilhete de Identidade dos CSP, designado por “Proporção de utentes adultos com registos clínicos evidenciando a existência de asma, DPOC ou bronquite crónica, com registo de diagnóstico na lista de problemas”, como uma ferramenta importante para aumentar o diagnóstico das doenças respiratórias, melhorar os registos clínicos, atualizar os problemas ativos e, fundamentalmente, melhorar os cuidados de saúde prestados aos utentes.</p> Eurico Silva, Ana Raquel Sousa Santos Direitos de Autor (c) 2022 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13310 Tue, 13 Sep 2022 00:00:00 +0000 Quando eu for grande, quero ser... https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13582 <p>Quando eu for grande, quero ser médica de família.</p> <p>A Sofia tem 7 anos, os seus pais não são médicos e tem a liberdade criativa que a sua idade e as suas características lhe permitem fruir.</p> Prof Doutor Hernani Caniço Direitos de Autor (c) 2022 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13582 Tue, 13 Sep 2022 00:00:00 +0000 Quando o exame neurológico não tranquiliza: um caso de doença de Creutzfeldt-Jakob https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/12642 <p><strong>Introdução: </strong>A doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ) é a mais comum das doenças priónicas humanas. A maioria dos casos é esporádica e apresenta-se como demência rapidamente progressiva. Este caso pretende alertar para a importância da suspeição inicial de uma DCJ, apesar da sua raridade, de modo a reconhecer os primeiros sinais e sintomas, muitas vezes inespecíficos, e realizar uma referenciação célere aos cuidados de saúde secundários para diagnóstico e seguimento precoces.</p> <p><strong>Descrição do caso: </strong>Mulher de 53 anos, sem antecedentes de relevo, que recorreu a consulta aberta da sua Unidade de Saúde Familiar por tonturas, desequilíbrio e humor distímico. Dias mais tarde apresentou-se com nistagmo horizontal, ataxia da marcha e dismetria dos membros superiores, pelo que foi orientada para observação por neurologia. O quadro clínico evoluiu em poucas semanas, com dificuldade em executar atividades da vida diária, apatia, discurso pobre, dificuldades na memória e apraxia para vestir. O exame neurológico revelou hiperreflexia esquerda, reflexo cutâneo-plantar esquerdo em extensão, postura distónica de ambos os membros superiores e mioclonias espontâneas de novo, com s<em>tartle</em> marcado com estímulo sonoro. A ressonância magnética (RM) mostrou sinais sugestivos de DCJ. A eletroencefalografia (EEG) e a proteína 14-3-3 positiva suportaram o diagnóstico. O estado neurológico deteriorou-se rapidamente, com evolução para mutismo acinético, tetraparésia espástica e morte. </p> <p><strong>Comentário: </strong>A DCJ deve ser considerada perante a combinação de demência rapidamente progressiva e mioclonias estimulossensitivas. Manifestações cerebelosas constituem sintomas de apresentação em 20% a 40% dos casos. A RM, a proteína 14-3-3 e o EEG são úteis para o diagnóstico. O diagnóstico definitivo requer a combinação com os achados neuropatológicos. O tratamento é apenas de suporte e o desfecho fatal, sendo fulcral mostrar disponibilidade e apoio nas questões médicas, psicológicas e sociofamiliares.</p> Gisela Marcelino Santos, Maria Ferreira, Marta Pinheiro, Ângela Maganete Direitos de Autor (c) 2022 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/12642 Tue, 13 Sep 2022 00:00:00 +0000 Nevralgia do trigémio atípica: um caso clínico https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13137 <p><strong>Introdução:</strong> A nevralgia do trigémio consiste numa dor muito intensa, com início súbito e de curta duração, espoletada por estímulos inócuos. No entanto, pode manifestar-se inicialmente de forma atípica tornando o seu diagnóstico mais difícil.</p> <p><strong>Descrição do caso:</strong> Relata-se um caso de uma mulher de 77 anos de idade com dor tipo moinha no maxilar superior direito, que motivou múltiplos contactos com os cuidados de saúde, tendo sido submetida a vários ciclos de antibioterapia e à extração de um dente, por suspeita inicial de patologia dentária. Posteriormente, a dor evoluiu para um padrão típico de nevralgia do trigémio, pelo que se assumiu este diagnóstico. Iniciou-se terapêutica para controlo da dor com carbamazepina e fez-se o estudo de causas secundárias, no qual foi identificado um meningioma no trajeto do nervo trigémio direito.</p> <p><strong>Comentário:</strong> As manifestações atípicas da nevralgia do trigémio podem levar a um atraso no diagnóstico desta patologia pelo que é importante ter um elevado nível de suspeição. A terapêutica sintomática deve ser iniciada aquando do diagnóstico e deve ser considerado um estudo de causas secundárias.</p> Mariana Lopes da Cruz Capela, Maria Eduarda Constâncio Brás Inácio Direitos de Autor (c) 2022 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13137 Tue, 13 Sep 2022 00:00:00 +0000 O estranho desaparecimento do dispositivo intrauterino de cobre: relato de caso https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13317 <p><strong>Introdução:</strong> Este caso descreve um dos efeitos adversos possíveis da contraceção intrauterina, nomeadamente do dispositivo intrauterino de cobre (Cu-DIU), e explora o procedimento a realizar no âmbito dos cuidados de saúde primários (CSP).</p> <p><strong>Descrição do caso:</strong> Em outubro de 2019, a utente optou por Cu-DIU e realizou uma ecografia pré-procedimento (sem alterações). Em fevereiro de 2020 foi colocado um Cu-DIU nos CSP, o que ocorreu sem intercorrências; pediu-se ecografia de controlo. Devido ao contexto pandémico, a utente não a realizou e manteve método de barreira. Em março de 2021, a ecografia realizada não identificou o Cu-DIU. A utente negou perceção de expulsão do dispositivo ou outros sintomas. Na observação não foram detetados os fios do Cu-DIU, pelo que se solicitou radiografia abdominal. Realizada em abril de 2021, esta mostrava o dispositivo “na zona média da escavação pélvica, em posição oblíqua de perfil”. Uma nova ecografia ginecológica identificou o DIU na “escavação pélvica, em topografia extrauterina, lateralizado à esquerda do útero”. A utente foi encaminhada para consulta hospitalar urgente e notificou-se a ocorrência à Unidade de Vigilância de Produtos de Saúde (UVPS), da Direção de Produtos de Saúde (DPS) do INFARMED. Em consulta de ginecologia, em junho de 2021, a utente ficou inscrita para laparoscopia para remoção de Cu-DIU e salpingectomia bilateral para contraceção definitiva.</p> <p><strong>Comentário:</strong> Este caso alerta para a importância da avaliação ecográfica, após colocação de dispositivos intrauterinos, para confirmação da sua localização e garantia, por um lado, da eficácia do método e, por outro, da rápida deteção de complicações. Pretendeu-se ainda fazer uma breve revisão do procedimento a adotar em casos semelhantes: realização de exame físico e exames complementares de diagnóstico, participação às autoridades competentes e referenciação precoce à ginecologia para a rápida resolução da situação.</p> Ana Rita Moreira Coutinho Gonçalves, Ana Catarina Dias Oliveira, Inês Gonçalo Domingues, Carina Ferreira, José Rui Seabra Caetano, António Pedro Fonte, Helena Machado Direitos de Autor (c) 2022 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13317 Tue, 13 Sep 2022 00:00:00 +0000 Quando não é só uma gripe: relato de caso de uma miosite viral https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13318 <p><strong>Introdução: </strong>As infeções das vias aéreas superiores (IVAS) em crianças são dos motivos mais comuns de consulta aguda nos cuidados de saúde primários e habitualmente têm bom prognóstico. No entanto, em certos quadros clínicos, as complicações ou doenças menos comuns, como a miosite, devem ser consideradas.</p> <p><strong>Descrição do caso: </strong>Uma criança de oito anos de idade, previamente saudável, foi observada pela primeira vez no centro de saúde em novembro de 2019 por tosse e febre com dois dias de evolução, sem alterações de relevo no exame objetivo – foi assumida uma IVAS e prescrito tratamento com antipirético e reforço da hidratação oral. O doente volta três dias depois à unidade com manutenção do quadro clínico, marcha anormal e dor na região posterior da perna, na região dos músculos gastrocnemius bilateralmente. Ao exame objetivo e neurológico, além da alteração da marcha, não apresentava outros achados. Pela evolução suspeita do quadro foi referenciado para o serviço de urgência pediátrico hospitalar para avaliação. Não foram encontradas outras alterações ao exame objetivo. Foi submetido a estudo analítico, que revelou uma creatina cinase (CK) de 7110U/L, mioglobina de 1935ng/ml e aspartato aminotransferase (AST) de 191U/L, sem alteração de função renal. Perante resultados sugestivos de miosite foi decidido internamento para fluidoterapia intravenosa. Em regime de internamento foi realizado aspirado nasofaríngeo para cultura e virologia, que testou positivo para vírus <em>Influenza</em> B; foi, assim, assumido o diagnóstico de miosite vírica por <em>Influenza</em> B. O doente recebeu tratamento com oseltamivir durante quatro dias em regime de internamento, com boa resposta. Teve alta hospitalar após estes quatro dias, assintomático e com indicação para repouso e reforço da hidratação oral.</p> <p><strong>Comentário: </strong>Devemos estar atentos a sintomas menos comuns em casos de presumíveis de IVAS e aumentar a acessibilidade dos cuidados de saúde primários para reavaliações de certos casos.</p> Miguel Maciel, Francisca Andrade, Carolina Castro, Ana Macedo Direitos de Autor (c) 2022 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13318 Tue, 13 Sep 2022 00:00:00 +0000